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Cinema de um Homem Só

Cinema de um Homem Só

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Em 1948, o teórico Alexandre Astruc previu que um dia as câmeras estariam no bolso direito das calças. Essa hora chegou. Cabe a nós tirá-las do bolso e fazer filmes. O curso Cinema de Um Homem Só é um desdobramento do trabalho de mestrado do cineasta e professor da PUC, Gustavo Spolidoro e pretende abordar, de forma teórica, neste primeiro módulo, os diversos cinemas de um homem só, desde a pré-história do cinema até os dias de hoje, aonde todos somos potenciais cineastas. Ficção, documentário, ensaio ou tudo misturado, em busca de um cinema livre. Antes mesmo de o cinema ser cinema, o fisiologista francês Étienne-Jules Marey experimentava formas de mover a imagem para registrar outro movimento, o dos corpos. Sua influência vai dos Irmãos Lumiére, passando pelos Futuristas e Duchamp e chegando em filmes como “Holy Motors”.

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Étienne-Jules Marey – Movimento de um Caminhante – 1883

A história mostra que a vontade da realização individual gerou grandes marcos do cinema mundial. De Robert Flaherty e seu “Nanook, o esquimó”, passando por Jean Rouch e “Eu, um negro” e chegando em Agnès Varda e “Os Catadores e eu”. São muitos os exemplos de um cinema que transcende modelos e permite uma criação econômica, livre e subjetiva.

O cinema brasileiro está repleto de casos recentes aonde a realização converge para novas formas narrativas e técnicas, estejam elas em diálogo com as artes visuais ou com o próprio cinema. Fazer um filme, hoje, está mais próximo de nós do que pensamos. Em “Pacific”, Marcelo Pedroso usou imagens que turistas fizeram em um cruzeiro. Em “Doméstica”, Gabriel Mascaro deu câmeras a jovens e pediu que filmassem o cotidiano de suas empregadas domésticas por uma semana.  Em “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo”, as imagens captadas por Karim Aïnouz e Marcelo Gomes como pesquisa para outros filmes, acabaram virando uma das mais belas obras do cinema nacional.

Fora daqui, a contemporaneidade audiovisual tem apresentado diversas obras frutos da obstinação de uma pessoa. Godard fez dos seus “História(s) do Cinema” um marco da liberdade narrativa, sendo exemplo e modelo do que se chamou filme-ensaio. Outra grande obra ensaística foi apresentada por um errante Chris Marker em “Sans Soleil”. Durante quase duas décadas o americano Jonathan Caouette filmou sua degradação e de sua família em um dos mais contundentes filmes contemporâneos, “Tarnation”.

Criatividade, dispositivos ousados, ideias diferenciadas. Tudo isso, graças à câmera no bolso direito das calças. Técnica e narrativa lado a lado criando novos paradigmas audiovisuais.

O curso “Cinema de um homem só” pretende entender o processo destes e outros autores e instigar a possibilidade deste tipo de realização, seja ela documental, ficcional ou distinta de gêneros.

Estrutura do curso:

Aula 1

Os Primórdios do cinema de um homem só:

  • Uma vontade irrefreável de mover a imagem: Marey e Muybridge.
  • Lumiére, Mélies e as primeiras experiências do cinema.
  • Flaherty e a intromissão no real.

Aula 2

A técnica à serviço da narrativa:

  • Cinéma Vérité e Cinema Direto modificando o conceito de equipe.
  • A Política dos Autores permitindo um novo cinema.
  • Filme-ensaio, aonde o cinema se liberta dos gêneros: Godard, Marker, Mekas, Varda.

 

Aula 3

A realização individual no cinema contemporâneo:

  • O cinema de um homem só no Brasil: “33”, “Pacific”, “Doméstica”, “Andarilho”, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”.
  • O cinema de um homem só no Mundo:  Warhol, “Quarto 666”, “Tarnation”, Jem Cohen .
  • A câmera no bolso direito das calças: youtube/vimeo/facebook, pais, artistas visuais, mídia ninja, autor/artista.

Aula 4

A produção de um filme de um homem só:

  • As experiências no curta “Pequenos Tormentos da Vida” .
  • A realização individual em “Morro do Céu” .
  • Um processo 100% individual: “Errante – um filme de encontros”

Duração do curso: 12h   |   Pré-requisito: nenhum   |   Ministrante: Gustavo Spolidoro

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