Palestra Bike and Spices: uma volta pelo mundo, muitas voltas no pedal

Palestra Bike & Spices

Tudo começou quando André e Karla visitaram, em São Paulo, onde moravam, uma exposição sobre o livro “Caminhos”, de Argus Caruso – no qual o autor narra os 4 anos de sua vida que foram dedicados a percorrer o globo a bordo de sua magrela. O casal, que vivia um momento de desconforto com a rotina paulistana, ao folhar o fotolivro do artista mineiro, sentiu que ali estaria a resposta para seus problemas.

E assim iniciou uma jornada de 3 anos, 4 meses, 40 países e mais de 31.000Km pedalados em uma grande volta ao mundo. Eles visitaram países como Holanda, Marrocos, Grécia, Eslovência, Irã, China, Camboja, Tailândia, Honduras, Equador, entre inúmeros outros, até retornarem ao Brasil esse ano.

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Bike & Spices

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O planejamento para as viagens foram de curto prazo: não endurecer os planos para aproveitarem a casualidade das possibilidades que surgissem no caminho era um dos principais objetivos do casal. Mesmo longe do conforto da família e do lar, resumem “desejamos ter muita história para contar aos nossos filhos”.

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A incrível experiência, a vontade de registrar e levar consigo um pouco das famílias que os receberam, além de compartilhar as experiências vividas, fizeram da fotografia uma grande aliada nessa expedição. “A fotografia serviu de objeto para não termos que carregar o peso de coisas que as pessoas nos dão através do registro desses gestos. Além de nos transportar a esses lugares quando imaginamos os pequenos recortes nossos que ali ficaram”, contam.

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Bike & Spices

Bike & Spices

Quer saber mais dessa incrível história? André e Karla contam tudo e apresentam suas fotografias na palestra Bike & Spices, aqui na Fluxo – Escola de Fotografia Expandida.

Dia 29 de Julho
Quarta-feira – das 19h às 21h
Local: Fluxo – Escola de Fotografia Expandida (Rua Gen. João Telles – 291, Bom Fim/ Porto Alegre-RS)
Ingresso: 1kg de alimento não perecível*
* Há um mercado quase em frente à escola caso o participante queira comprar minutos antes da palestra

Pablo Pinheiro lança fotolivro sobre a figura do Vaqueiro

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Após ganhar o XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, Pablo Pinheiro aprofundou a sua reflexão sobre um ícone brasileiro: o vaqueiro tradicional.

A narrativa visual será revelada no fotolivro “Rio Grandes”, resultado do projeto “Uma Tradição nos Rio Grandes – a imagem do Vaqueiro Contemporâneo em transição”, com edição de imagens de Rosely Nakagawa e distribuição gratuita pela internet.

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

A pesquisa de campo foi motivada por uma inquietação: em que medida o ritmo intenso da era da informação e da tecnologia interfere em uma tradição? Em seu processo criativo e produtivo Pablo desmistifica cenas projetadas no seu próprio imaginário. Em sua jornada tenta decifrar o tempo, o homem e o seu meio.

“As pessoas ainda imaginam uma representação arcaica do vaqueiro. A estrutura visual do ambiente rural se mantêm, seja no sertão ou nos pampas, mas este homem e suas tradições estão em um período de transição. O acesso à informação é contínuo e se expande para além do meio rural e os desejos se transformam junto. Isso interfere na indumentária, no estilo de vida”, comenta o fotógrafo.

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

A convivência dos vaqueiros em seu próprio espaço geográfico vem ajudando o artista a refletir também sobre as suas raízes. Neto de nordestino, nascido em São Paulo e criado em Natal pelos pais paulistas e migrantes, o fotógrafo só conseguiu perceber sua brasilidade quando morou no Arizona, nos EUA, na adolescência. E lá descobriu a fotografia. Todo este percurso e pesquisa sobre o vaqueiro também faz parte da jornada em busca de sua identidade como artista.

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Uma tradição nos Rio Grandes: a imagem do vaqueiro contemporâneo em transição

Serviço

Palestra sobre o processo criativo e resultados do projeto contemplado pelo XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia: Uma Tradição nos Rios Grandes – a imagem do Vaqueiro Contemporâneo em transição”

Dia 11 de agosto – às 19h30
Local: Fluxo – Escola de Fotografia Expandida (Rua Gen. João Telles, 291 – Bom Fim, Porto Alegre/RS)
Ingresso: 1kg de alimento não perecível*
* Há um mercado quase em frente à escola caso o participante queira comprar minutos antes da palestra

Veja mais informações no evento: http://on.fb.me/1HVoQEP

“Concentração”, de Ana Paula Zanandréa

Espetáculo Concentração

Os limites entre ficção e realidade se confundem num labiríntico jogo de manipulações. O roteiro é intrigante: imagine um reality show de TV, cujos participantes, em vez de “brothers” ou “sisters”, são presos condenados. Os participantes (os presos), entretanto, jamais cometeram crime algum. Esse é o espetáculo teatral Concentração, em cartaz no Teatro de Arena.

Espetáculo Concentração

O projeto marca o retorno da diretora teatral Ana Paula Zanandréa a Porto Alegre. Após um longo período no exterior, Ana volta à capital gaúcha assinando a direção do espetáculo e a dramaturgia, criada em processo juntamente atores Frederico Vittola, Miriã Possani, Pedro Nambuco, Priscilla Colombi e Sofia Vilasboas. A história é livremente inspirada na novela Ácido Sulfúrico, da escritora belga Amelie Nothomb, inédito no Brasil.

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Fotos: Regina Protskof

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Serviço

Espetáculo Teatral “Concentração”

De 17 de Julho a 9 de Agosto – Sexta, Sábado e Domingo, sempre às 20h
Local: Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros – 835, Centro, Porto Alegre/RS)

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia -estudantes, idosos, classe artística e professores)
Classificação: 14 anos

Ingressos Antecipados

Loja Sírius (Rua da República – 304, Cidade Baixa, Porto Alegre)
Telefone: (51) 3225-1694
Horário: Segunda a sábado, das 11h às 22h

Café do Duque (Rua Duque de Caxias – 1354, Centro Histórico, Porto Alegre)
Telefone: (51) 3254-0308
Horário: Segunda a sábado, das 10h às 19h30min

Armazém Porto Alegre (Escadaria da Av. Borges de Medeiros – 786, Centro Histórico, Porto Alegre)
Telefone: (51) 3226-0308
Horário: Segunda a sexta, das 18h às 23h. Sábado, das 16h às 22h

Vendas online no Site Entreatos

Veja mais informações no evento: http://on.fb.me/1TOh7zD

Baixe o aplicativo do espetáculo: http://bit.ly/1g26eMo

#TripFotográfica: Caçapava do Sul por Fil Giuriatti

A série #TripFotográfica vai mostrar, pelo olhar dos professores da Escola Fluxo, lugares incríveis para saídas de campo fotográficas. A ideia é revelar e dar dicas sobre os melhores e mais inusitados picos para a fotografia, seja no estado no Rio Grande do Sul, Brasil e até no exterior.

E o primeiro destino da nossa série é a pequena cidade de Caçapava do Sul (RS) pelas lentes do fotógrafo e professor da Fluxo Felipe Giuriatti.

Fil atua como fotógrafo comercial e de moda desde 2004, com clientes como Lojas Pompéia, Body Store, Brinox, GVerri, D’Passeio, Shopping Iguatemi Porto Alegre, Azaléia, entre outras. Mas sua verdadeira paixão é a escalada em rocha – e foi por isso que o Caçapava chamou atenção do artista.

Próxima a Bagé, Caçapava do Sul possui formações de rochosas únicas no estado, com um dos pontos de escalada mais frequentados do Rio Grande do Sul, possibilitando caminhadas e escaladas de todos os níveis.

Confira só os registros de Fil:

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

Caçapava do Sul por Felipe Giuriatti

#Pontos Turísticos: Pedra da abelha, Pedra do Segredo, Minas do Camaquã.

#Equipamento: Para fotografia de paisagens, é interessante levar uma lente teleobjetiva (distância focal maior que 70mm), para registrar detalhes em longas distâncias, além de filtro polarizador, capaz de reduzir drasticamente reflexos, realçar cores e aumentar o contraste entre o céu e as nuvens.

#Dica do Fil: Fotografe em RAW! Com esse tipo de arquivo “cru” é possível explorar de melhor forma os vários tons de verdes, o degradê do céu e os contrastes entre o céu, a rocha e a paisagem.

Curtiu? Qual será nosso próximo destino? Fique ligado no próximo #TripFotógrafica e descubra.

Fil Giuriatti é professor do curso Lightroom como Laboratório Digital aqui na Fluxo. Saiba mais sobre o curso aqui.

#5 exposições para visitar em Julho

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A segunda quinzena de Julho promete para cena cultural de Porto Alegre. Confira 5 exposições imperdíveis para visitar esse mês:

#1 A rotina tem seu encanto, de Carine Wallauer

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O título do trabalho da fotógrafa Carine Wallauer vem do último longa-metragem do cineasta japonês Yasujiro Ozu, que por quase 40 anos retratou o cotidiano de um Japão em transformação. Em seus filmes somos convidados a participar do dia a dia das familias, observar os conflitos entre gerações, sentir o impacto das novas tecnologias em uma sociedade de tradições herméticas que lentamente foi incorporando conceitos modernos e caracteristicas da cultura ocidental.

Diferente do período de criação do cineasta, em que as mudanças podiam ser acompanhadas no ritmo da contemplação, hoje as transformações acontecem de forma globalizada e ligeira. A artisita utiliza seu cotidiano, fotografado apenas com um aparelho celular, para refletir sobre o modo como vivemos hoje – digitalmente conectados.

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Abertura: 14 de Julho – às 19h30
Galeria Cubo (Av. Cristovão Colombo, 3000/ 9º andar – Floresta)
Saiba mais no Evento: http://on.fb.me/1ShQ25g

Visitação: de 15 de Julho a 15 de Agosto
Galeria Cubo (Av. Cristovão Colombo, 3000/ 9º andar – Floresta)
Entrada Franca

Carine também é professor da Fluxo. Confira mais do seu trabalho.

#2 Plano de Observação, de José Damasceno

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O artista carioca José Damasceno, que começou a dedicar-se às artes plásticas no início dos anos 1990, tem como característica marcante a capacidade de dialogar com o ambiente onde está inserido, buscando despertar nos espectadores a sensação de transitoriedade entre a “fantasia e a lógica”.

A exposição Plano de Observação traz cinco grandes instalações com formas e cores tão variadas e distintas que proporcionam um olhar diferente a cada visita, incentivando o exercício de repensar o que vemos como ponto final de uma trajetória de observação.

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Visitação: de 19 de Maio a 26 de Julho de 2015
Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028 – Centro Histórico)
Entrada Franca

#3 Natural, de Miguel Soll

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Miguel Soll, fotógrafo portoalegrense com trabalho internacionalmente distribuído e divulgado na internet – beneficiando-se do potencial que as ferramentas de compartilhamento proporcionam, sendo publicado desde zines independentes até publicações impressas internacionais – apresenta sua primeira exposição individual: Natural.

A exposição grita “por um corpo natural!”, “pela naturalização do corpo!” e questiona “o que é natural a nós? Existe um corpo mais natural que o outro? São as plantas, a selva, ficar nu? O artista questiona a necessidade de entramos em contato com nossas almas para preencher o que uma vez perdemos. Drogas, álcool. As maneiras artificiais de se tornar “natural”.”

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This is the dead land I

Abertura: 14 de Julho – às 19h
Galpon (Rua Dr. Alcides Cruz, 398 – Santa Cecília)
Saiba mais no Evento: http://on.fb.me/1LeYrrl

Visitação: de 14 de Julho a 8 de Agosto
Galpon (Rua Dr. Alcides Cruz, 398 – Santa Cecília)
Entrada franca

#4 Slide, de Patrícia Francisco

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A mostra Slide com curadoria de Elaine Tedesco apresenta um conjunto de trabalhos da artista que privilegia o uso do vídeo e da fotografia para desenvolver versões do real. Patrícia Francisco busca no plano das memórias roteiro para suas criações e explora fotomontagens e fotoperformances para criar séries contaminadas pelo cinema, sobre o futuro decadente da humanidade ou questionamentos sobre os problemas ecológicos na atualidade.

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A galeria também promove nessa quarta-feira (15/07) uma conversa com a artista. Saiba mais detalhes no Evento: http://on.fb.me/1K4fbyv

Visitação: de 29 de Junho a 7 de Agosto
Galeria Mamute (Rua Caldas Júnior, 375 – Centro Histórico)
Entrada Franca

#5 3X4 VIS(I)TA
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Tudo começou em 2005, quando os artistas visuais e amigos Carlos Krauz (Porto Alegre, RS, 1958), Helena d´Ávila (Porto Alegre, RS, 1961), Laura Fróes (Porto Alegre, RS, 1970) e Nelson Wilbert (São José do Ouro, RS, 1969) realizaram a exposição 3X4 construindo a identidade. O projeto 3X4 VIS(I)TA, que consistia, como o próprio nome sugere, em realizar visitas a ateliês de artistas cujos trabalhos todos admiravam. Mas, não apenas isso: Krauz, Helena, Laura e Wilbert também se propunham a abrir esses ateliês à visitação do público, durante um único dia, um único turno, sempre num sábado à tarde. E, nesse dia, apresentavam obras e intervenções suas, em diálogo com as obras do artista visitado. Entre 2006 e 2012, foram oito edições, com nove artistas visitados.

Assinalando o fechamento do projeto, a mesma Galeria Xico Stockinger, onde tudo começou, receberá a exposição 3X4 VIS(I)TA e também o lançamento, no início do segundo semestre deste ano, do livro documental sobre o projeto, contemplado pelo Edital Fumproarte.

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Visitação: de 14 de Junho a 30 de Julho
MACRS – Museu de Arte Contemporânea do RS (Rua dos Andradas, 736, 6º andar – Centro Histórico)
Entrada Franca

Escola Fluxo realiza conversa com Cristiano Sant’Anna

Exposição Quase Paisagem - Cristiano Sant'Anna

Na próxima quinta-feira, dia 9 de Julho, às 19h30, o fotógrafo Cristiano Sant’Anna realiza aqui na Escola Fluxo uma conversa aberta ao público sobre o seu trabalho. Cristiano é o autor da exposição “Quase Paisagem – Taim”, que está aberta para visitação na Galeria Fluxo até o dia 11 de Julho.

Cristiano Sant’Anna é fotógrafo, jornalista e integrante da Beira – movida editorial, coletivo que aposta na circulação da fotografia, na pesquisa de novas formas de financiamento e na realização de edições independentes em pequenas tiragens. Com seu trabalho mais autoral e experimental, Cristiano recebeu, em 2014, a Bolsa do Fundo de Apoio à Cultura para desenvolver o projeto “Quase Paisagem – Taim” e publicou o fotolivro “Arquipélago”, sobre as comunidades de pesca artesanal de Porto Alegre/RS. Atualmente desenvolve os projetos “Rua dos Gusmões 236″, oficina de narrativa coletiva em fotografia na cracolândia (São Paulo), e “Hotel da Loucura”, no Instituto Nise da Silveira (Rio de Janeiro).

A exposição “Quase Paisagem – Taim” é resultado de um projeto de pesquisa, reconhecimento, imersão e produção fotográfica na reserva ecológica do Taim, considerado um dos principais ecossistemas do Brasil e que apresenta uma inestimável diversidade de fauna e flora. Situada numa estreita faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul, a paisagem do Taim está representada por praias lagunares e marinhas, lagoas, pântanos, campos, cordões e campos de dunas.

Com curadoria do também fotógrafo Fernando Schmitt, a exposição está dividida em seis grandes conjuntos de obras com suportes e linguagens diferentes – 17 imagens fotográficas, videoinstalações e instalação em backlights, além de um catálogo – que também é considerado uma obra. Ao realizar imagens fluidas, em que se destacam – mais que os elementos que as compõem – a luz e a cor, o autor busca transpor os limites estéticos e técnicos estabelecidos à fotografia de paisagem, propondo uma interação com o ambiente a partir de sensações.

Financiamento: Secretaria de Estado da Cultura do RS – FAC/RS
Realização: Beira – movida editorial
Design e concepção do catálogo: Cristiano Sant’Anna e Vitor Mesquita (Pubblicato)

Serviço

Conversa com Cristiano Sant’Anna

Dia 9 de Julho
Quinta-feira – às 19h30
Entrada franca (por ordem de chegada)

Exposição Quase Paisagem – Taim
De Cristiano Sant’Anna

Visitação até 11 de julho de 2015

Galeria Fluxo (Rua Gen. João Telles, 291, Bom Fim – Porto Alegre/RS)
Horários: segunda a sexta das 10h às 18h30 e sábado das 10h às 17h
Entrada franca

Exposição “Quase Paisagem – Taim” do fotógrafo Cristiano Sant’Anna

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Abre no dia 12 de junho, sexta-feira, a Exposição “Quase Paisagem – Taim”, do fotógrafo Cristiano Sant’Anna, aqui na galeria da Fluxo – Escola de Fotografia Expandida. Formada por fotografias em tamanhos variados, videoinstalações, instalação em backlights e um catálogo – que também é considerado uma obra -, a exposição apresenta imagens fluidas, em que destacam-se a luz e a cor, mais que os elementos que as compõem. Dessa forma, Cristiano busca transpor os limites estéticos e técnicos estabelecidos à fotografia de paisagem, propondo uma interação com o ambiente a partir de sensações.

A exposição é resultado de um projeto de pesquisa, reconhecimento, imersão e produção fotográfica na reserva ecológica do Taim, considerado um dos principais ecossistemas do Brasil e que apresenta uma inestimável diversidade de fauna e flora. Situada numa estreita faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul, a paisagem do Taim está representada por praias lagunares e marinhas, lagoas, pântanos, campos, cordões e campos de dunas.

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Com curadoria do também fotógrafo Fernando Schmitt, a exposição está dividida em seis grandes conjuntos de obras com suportes e linguagens diferentes – 17 imagens fotográficas, videoinstalações e instalação em backlights, além de um catálogo -, que representam o amadurecimento do trabalho autoral e experimental de Cristiano Sant’Anna. “A fotografia, desde sua gênese, serve para falsamente transportar quem a vê para o ambiente que está sendo mostrado, mas pouco fala sobre as sensações que temos ao estar fisicamente diante daquela paisagem. Nesse projeto, a obtenção fotográfica é feita para dar ênfase à luz e à cor, as formas se tornam quase imperceptíveis, dando lugar ao predomínio do vulto, da passagem. Como as imagens são tomadas a baixa velocidade em momentos de luz muito precária do dia, o resultado é fugidio e as formas se estabelecem no quadro de forma fluida, se interpondo e misturando. Dessa forma, o que as imagens mostram é somente uma marca da paisagem vista pelo olhar do fotógrafo, mas fala muito sobre a sua sensação”, explica Cristiano.

Financiamento: Secretaria de Estado da Cultura do RS – FAC/RS
Realização: Beira – Movida Editorial
Design e concepção do catálogo: Cristiano Sant’Anna e Vitor Mesquita (Pubblicato)

Serviço

Visitação de 12 de junho a 11 de julho de 2015
Horários: Segunda à Sexta, das 10h às 18h30 e Sábado das 10h às 17h
Local: Fluxo – Escola de Fotografia Expandida (Rua Gen. João Telles, 291, Bom Fim, Porto Alegre/RS)
Entrada franca

Sobre Cristiano Sant’Anna

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Cristiano Sant’Anna é fotógrafo e jornalista. Trabalhou para jornais do sul do Brasil Zero Hora e Correio do Povo, em Porto Alegre. Atualmente administra agência de fotojornalismo focada em cobertura de grandes eventos como Campus Party Brasil e Bienal do Mercosul, e imagens para relatórios de empresas e livros institucionais.

Realizou exposições no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal (Brasília), na Galeria Lunara (Porto Alegre) e no NanoFotoFest (Buenos Aires). Em abril de 2014 recebeu Bolsa do Fundo de Apoio à Cultura para desenvolver o projeto Quase Paisagem – Taim. Ainda em 2014, publicou o fotolivro Arquipélago, sobre as comunidades de pesca artesanal de Porto Alegre/RS. Atualmente desenvolve os projetos Rua dos Gusmões 236 – oficina de narrativa coletiva em fotografia na cracolândia (São Paulo) e Hotel da Loucura, no Instituto Nise da Silveira (Rio de Janeiro).

Novo Workshop de Composição Fotográfica

O Workshop de Composição Fotográfica volta ao calendário da Fluxo – Escola de Fotografia Expandida repaginado. Agora ministrado pelo fotógrafo Leo Caobelli do Coletivo Garapa, o curso pretende explorar mais a fundo o momento do ato fotográfico e como a tomada de decisão pode influenciar – e muito – na imagem final.

Segundo o professor Leo Caobelli, um dos principais objetivos do curso é desconstruir as práticas atuais de composição dos alunos, propondo reflexões sobre suas rotinas fotográficas e como quebrá-las, a fim de estimular os participantes a sair de suas zonas de conforto e enxergar novas perspectivas imagéticas.

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Muitas vezes, a maior parcela de tempo do fotógrafo é gasta em decisões de câmera, objetiva e assunto – e, como consequência, o instante fotográfico acaba sendo rápido, objetivo e pouco planejado. Dessa forma, outro grande foco do workshop é aumentar a importância do ato de fotografar no processo criativo do aluno.

Muito do estudo sobre composição é feito com base em referências e anti-referências apresentadas. Agora – além de apresentar fotógrafos clássicos, regras e composições formais – o curso traz também referências contemporâneas, quebrando conceitos clássicos de composição, como a própria bidimensionalidade fotográfica, e expandindo as possibilidades do participante no momento da tomada de decisão que antecede o clique.

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Caobelli também propõe uma análise prática utilizando suas próprias fotografias, contrapondo composições semelhantes, questões geométricas, apontando possibilidades de reenquadramento e estudando como cada elemento é capaz de transformar o discurso e ressignificar uma imagem.

Ficou interessado? Se liga nas próximas turmas:

Workshop de Composição Fotográfica com Leo Caobelli

Turma Noite – 27 de Maio
Quarta-feira – das 19h30 às 22h30

Turma Tarde – 2 de Junho
Terça-feira – das 14h30 às 17h30

Turma Manhã – 10 de Junho
Quarta-feira – das 9h30 às 12h30

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br

Mais informações no site da Fluxo.

Plataforma Internacional de Leituras de Portfólios | FestFoto 2015

Leituras de Portfolio | FestFoto 2015

A Plataforma Internacional de Leituras de Portfólios do FestFoto 2015 foi desenhada e organizada para proporcionar aos fotógrafos inscritos a possibilidade de intercâmbio e maior visibilidade para seus trabalhos.

Neste sentido, curadores e especialistas em fotografia e arte contemporânea de sete países vão fazer parte das leituras e sendo concedidos os seguintes prêmios:

· Uma bolsa-prêmio para as leituras de portfólio no FotoFest/Houston nos Estados Unidos, em sua edição 2016.
· Uma bolsa-prêmio para as leituras de portfólio nos Encuentros Abiertos de Buenos Aires, para a edição de 2016.
· Prêmio de aquisição – Coleção Itaú de Fotografia Brasileira – Serão selecionados autores para aquisição de obras para serem incorporadas à Coleção Itaú de Fotografia Brasileira.

As inscrições para as leituras já foram esgotadas, evidenciando o sucesso da iniciativa. Veja o regulamento da premiação aqui.

Confira a lista de Leitores de Portfólio do FestFoto 2015:

Wendy Watriss (FotoFest/Houston | EUA)

Wendy Watriss é fotógrafa, curadora, jornalista e escritora. É co-fundadora do FotoFest, organização de artes fotográficas e educação conhecida internacionalmente e baseada em Houston, Texas, do qual é diretora artística desde 1991. Watriss começou sua carreira profissional como repórter e escritora para jornais e revistas norte-americanos e mais tarde tornou-se produtora de documentários para a televisão aberta nacional em Nova York.

Fred Baldwin (FotoFest/Houston | EUA)

Fred Baldwin também é co-fundador da FotoFest e fotojornalista, fotógrafo documental e conferencista. Baldwin está interessado em examinar todos os tipos de fotografia, de documentário à conceitual – não está interessado em trabalhos comerciais, retratos e fotografia de casamento. Ele enfatiza que pode oferecer aos fotógrafos os benefícios da experiência de seus 26 anos de busca por trabalhos para serem exibidos em Houston com visibilidade internacional durante o FotoFest.

Elda Harrington (Encuentros Abiertos de Buenos Aires | ARG)

Elda nasceu, vive e trabalha em Buenos Aires. Advogada, lecionou na Universidade de Buenos Aires e desde 1984 dedica-se à fotografia e à realização de projetos fotográficos. Como fotógrafa, participou de inúmeras exposições coletivas e expôs individualmente no exterior (Brasil, Chile, México, EUA, Espanha, Portugal, França, Itália, Bélgica e Coreia do Sul, entre outros). Como professora fundou em 1987 a Escola Argentina de Fotografia, tornando-se o primeiro centro de ensino e divulgação da fotografia na Argentina.

Silvia Mangialardi (Encuentros Abiertos de Buenos Aires | ARG)

Desde 1980, Silvia Mangialardi dedica-se à fotografia. Ela foi fundadora e diretora da Ediciones Fotográficas Argentina (1984-2012) e foi diretora da Fotomundo, revista fotográfica argentina. Silvia também editou livros e realizou a curadoria de inúmeras exposições nacionais e internacionais.

James Estrin (NYT Lens Blog | EUA)

James Estrin é fotógrafo sênior do staff do New York Times e um dos fundadores do Lens, famoso blog de fotografia do Times sendo hoje um dos co-editores junto com David Gonzalez. Trabalha para o jornal desde 1987 e fez parte da equipe vencedora do Prêmio Pulitzer em 2001. Além de fotografar, editar e escrever, produz áudio e vídeo para o nytimes.com. Estrin também é professor adjunto da Universidade da Cidade de Nova York Graduate School of Journalism e também leciona na School of Visual Arts programa de Masters de Fotografia Digital.

Veronica Cordeiro (CDF/Uruguai | BRA)

Veronica Cordeiro é brasileira mas vive e trabalha em Montevidéu. É curadora do Centro de Fotografia de Montevidéu desde fevereiro de 2013, coordenando jornadas anuais sobre fotografia, o Encontro Internacional de Fotografia de Montevideo e os programas educativos paralelos às exposições. É mestre em Antropologia Visual e realizou sua formação em curadoria trabalhando como curadora assistente na XXIV Bienal de São Paulo. Hoje possui a ONG Surcontexto, onde desenvolve programas de formação em crítica cultural, curadoria e laboratórios para criação de projetos vinculados a questões sociais e políticas.

Mônica Zaratini (BRA)

Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, assina o Blog De Olho na Foto no site estadao.com.br. Foi editora-assistente de fotografia do jornal O Estado de S. Paulo onde começou como repórter-fotográfica em 1988. Participou de importantes reportagens nacionais e internacionais, entre elas, as Paraolimpíadas/Atlanta em 1994 e a Copa do Mundo/Paris em 1998. Recebeu o III Prêmio Embratel de Fotografia e o XXIII Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2001, entre outros prêmios.

Eder Chiodeto (BRA)

É mestre em Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Atuou como repórter fotográfico (1991-1995), editor (1995-2004) e crítico de fotografia (1996-2010) no jornal Folha de S.Paulo. Hoje, reúne as funções de jornalista, professor, curador e pesquisador de fotografia. Como docente ministrou, entre 2005 e 2010, aulas na Universidade Metodista de São Paulo e na Faculdade de Fotografia do Senac-SP. Como curador independente realizou, desde 2004, mais de 60 exposições no Brasil e no exterior. Chiodetto é também o curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP desde 2006.

Monica Maia (DOC Galeria/SP | BRA)

Mônica Maia é editora de fotografia, produtora e fotógrafa. Sócia da DOC Galeria | Escritório de Fotografia, espaço expositivo inaugurado em junho de 2012, com foco na fotografia documental e jornalística. Coordenou a área de fotografia do Núcleo de Revistas da Folha de S.Paulo até dezembro de 2010. Em 1999 foi a primeira brasileira a ser jurada do maior prêmio mundial de fotojornalismo, o World Press Photo, que acontece anualmente em Amsterdã, desde então é membro do Joop Swart Masterclass. Atuou na área de consultoria de Banco de Imagens Corporativos e colaborou com diversos livros e exposições. Foi curadora do 3º Encontro de Coletivos Fotográficos Íbero-Americano. É produtora executiva da Mostra São Paulo de Fotografia desde 2010.

Jim Casper (Lens Culture | EUA)

Jim Casper iniciou a revista online LensCulture em 2004 para explorar as diversas maneiras que a fotografia é utilizada nas artes, mídia e no cotidiano das culturas ao redor do mundo. Desde então, a LensCulture cresceu e hoje é considerada como um recurso altamente valioso de visibilidade para os fotógrafos, estudantes e amantes da arte. Em 2010, Jim uniu-se com parceiros internacionais para lançar as Leituras de Portfólio FotoFest Paris LensCulture, que reúne participantes de mais de 45 países em Paris, uma semana antes da ParisPhoto, a maior feira de Fotografia do Mundo.

Juan Travnik (FotoGalería do Teatro San Martín | ARG)

Juan Travnik é um professor experiente e curador no campo da fotografia criativa e é reconhecido como um dos fotógrafos contemporâneos mais importantes de seu país. Já participou de várias exposições individuais e coletivas em todo o mundo e foi um membro fundador do Consejo Argentino de Fotografía (ARG). É diretor de La FotoGalería del Teatro San Martín, fundada em 1985. A galeria tem um programa de pelo menos 12 exposições por ano e equilibra a participação de fotógrafos emergentes e consagrados. Procura por ensaios sobre assuntos diferentes e todos os tipos de novas tendências e visões. Pode proporcionar a oportunidade de expor na Argentina.

Pedro Meyer (ZoneZero – Fundação Pedro Meyer | ESP)

Pedro Meyer é um dos pioneiros e mais reconhecidos representantes da fotografia contemporânea. Fundador e presidente do Consejo Mexicano de Fotografía e organizador dos três primeiros Colóquios de fotografia da América Latina. Além de seu trabalho fotográfico artístico, Pedro Meyer foi professor em várias instituições de prestígio, bem como o curador, editor, fundador e diretor do renomado site de fotografia ZoneZero, que hospeda o trabalho de mais de mil fotógrafos de todo o mundo, e é visitado por mais de 500.000 pessoas a cada mês.

Angela Ferreira (Encontros da Imagem | POR)

Angela Ferreira é PHD em Fotografia e Comunicação Visual na UFRJ (BRA), com grande contribuição através artigos e entrevistas para diversos veículos, cunhando sua importância na cena fotográfica portuguesa e internacional. É Diretora de Fotografia no Festival Internacional Encontros da Imagem (POR), especializado no intercâmbio de fotográfico e artístico, encontrando e introduzindo artistas contemporâneos de todo o mundo.

Julio Pantoja (Bienal de Tucuman | ARG)

Fotojornalista, professor e ativista, Pantoja formou-se como arquiteto e fotógrafo na Universidade Técnica Nacional de Tucumán (ARG), onde é professor de Ciências da Comunicação. Também é pesquisador nas Universidade Nacional de Rosario (ARG). É diretor da Bienal Argentina de Fotografia e já foi conferencista em eventos acadêmicos de fotografia na Argentina, Peru, México, Equador, Colômbia, El Salvador, Nicarágua, Brasil, Espanha, França, Portugal, Canadá e Estados Unidos.

Francisco Mata Rosas (MEX)

Formou-se em Ciências da Comunicação na Universidad Autónoma Metropolitana (MEX). Francisco Mata Rosas foi fotojornalista no jornal La Jornada durante seis anos. Seu trabalho fotográfico já foi publicado em grandes veículos mexicanos e internacionais, como Estados Unidos, Espanha, Canadá entre outros países. Foi ganhador de diversos prêmios, como o Prêmio Aquisição na Bienal Mexicana de Fotografia de 1988, Prêmio de Honra no Concurso do Bicentenário da Revolução Francesa em 1989, Prêmio Fomento FONCA em 1999 e pertence ao Sistema Nacional de Criadores (MEX) desde 2000.

Amy Miller (ACP/Atlanta | EUA)

Amy Miller é Diretora Executiva do Atlanta Celebrates Photography (ACP), que acontece anualmente em diversos centros culturais espalhados por toda a cidade de Atlanta, com o objetivo de estimular e apoiar os fotógrafos além de educar o público, enriquecendo o diálogo nacional e internacional sobre fotografia. É mestre em fotografia pelo Pratt Institute (EUA) e nos últimos cinco anos, participou de inúmeros eventos de leituras de portfólio, curadoria de exposições, e fez parte de júris de concursos internacionais como o Critical Mass. Está interessada em ver todos os tipos de trabalho, exceto nus e trabalhos comerciais.

Joaquim Paiva (BRA)

Joaquim Paiva, é colecionador de fotografia e fotógrafo. Começou sua coleção em 1978, com grande acervo de fotógrafos brasileiros (2.300 imagens por 220 profissionais) e internacionais (460 gravuras de 140 fotógrafos) com uma vasta gama de temas e técnicas, expondo no Brasil e no exterior. Participa das Leituras de Portfólio de FotoFest/Houston, Encuentros de Buenos Aires, FotoRio e PhotoEspaña, em Madrid, entre outros. Está interessado em ver portfolios com trabalhos experimentais, criativos onde o fotógrafo mostre o compromisso com a qualidade, questões contemporâneas e seja inovador com interesse na aquisição de trabalhos para sua coleção.

Confira também a programação completa do FestFoto 2015 aqui.

A selfie e as câmeras de segurança que sustentamos

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É interessante refletir acerca dos fenômenos visuais que vivemos e nos relacionamos diariamente. Sem dúvida as selfies são protagonistas de nosso tempo. Basta abrir o Instagram ou o Facebook. Terá um bocado.

Dia desses, ao ver um “pau de selfie”, lembrei das câmeras de segurança, que ficam sempre posicionadas como um olhar de cima, que tudo veem e ainda tentam ser amigáveis ao dizer “sorria, você está sendo filmado”. Pense bem, quando entramos em lugares com este tipo de sinalização rapidamente nos damos conta de que existe uma preocupação com a segurança e o controle de determinada situação ou comportamento.

Carregamos nossas próprias câmeras de segurança e sorrimos pra elas para que nossa “rede” saiba o que estamos fazendo, onde estamos, o que estamos comendo, com quem estamos ou para onde vamos. Ou seja, para mostrar o quanto estamos bem ou que “tudo está sob controle”.

O quanto realmente estamos atentos a isso? O quanto este BBB da nossa intimidade é saudável pra gente e para os outros?

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Este texto propõe uma reflexão sobre estas manifestações que são, em alguma medida, a exposição da intimidade e uma relação “público/plateia”. Além disso, vamos trazer algumas relações com a história da fotografia e outros aspectos técnicos, que são responsáveis pela atribuição de sentido ao lermos uma imagem.

Pois bem, uma das coisas que chamam bastante atenção é o quanto a fotografia, utilizada para registrar infinitas selfies, abandona o discurso “como eu vejo o mundo” ou “o que estou vendo no mundo” para: “como eu quero que o mundo me veja”. Este simples ato de virar a câmera pra si diz muito – e talvez não tenhamos nos dado conta deste gesto bastante sintomático de nossa época. Será que a maneira como estamos vendo o mundo hoje não passa de uma perspectiva narcísica?

Existe na linguagem fotográfica uma questão relacionada à perspectiva de câmera, a quando se quer trazer ares de superioridade, inferioridade ou mesmo simetria no registro. Na verdade, não é algo exclusivo à fotografia, mas historicamente a forma como queremos representar pessoas, objetos e todo tipo de coisas que nos são relevantes em determinada época está relacionada à altura entre quem observa e o que é observado. Por exemplo:

Estátuas de líderes políticos geralmente estão sobre lugares altos, para que, quando olharmos, possamos sentir a superioridade ou grandeza daquele personagem. As imagens em igrejas e altares, suas pinturas no teto, remetem ao mundo superior.

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Repare no cinema, ou mesmo na pintura, como a perspectiva do personagem em cena está diretamente atribuída à atmosfera buscada. Isto não é uma máxima, porém é algo bastante utilizado no retrato, vindo do próprio ato de representar-se – seja na pintura, na escultura ou no audiovisual.

A estátua do poeta Mário Quintana no centro da cidade de Porto Alegre está cravada diretamente na Rua da Praia, não por acaso. Quintana era um poeta da cidade, falava com as pessoas, transitava entre elas e por isso está ali, na altura daqueles que passam pela rua dos Andradas.

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No autorretrato de Munch,  também não é casual que ele se pinte propondo ao espectador uma visão de baixo, com ares de mistério e imposição. Já em sua obra “O Grito”, aquele que vê é quem oprime, numa relação de cima pra baixo, superiorizado com o personagem da pintura.

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Bem, o “pau de selfie“, na maioria das suas demonstrações de uso, vem de cima, como uma câmera de segurança, a visão satelital do outro. Observamos estas imagens em diversas “salas de segurança” que são nossos celulares, tablets e computadores com total privacidade. Ali consta a data, local, horário e quem eram as  respectivas pessoas que acompanharam aquele momento.

Compramos cegamente a cultura de uma sociedade de controle através da imagem. Além disso, podemos ver um potencial enorme da sociedade para a atuação em frente às câmeras. Criamos a nossa própria plateia, de certa forma precisamos dela. Precisamos do like para que sintamos a sensação de que tem alguém perto, prestando atenção em nós, nos fazendo elogios, para dar justamente “segurança”.

selfie deixou de ser um autorretrato, distanciando-se do papel histórico da autorrepresentação na fotografia: percebemos o quanto antes questionava-se a sociedade, ao invés de simplesmente fortalecer a visão umbilical como nos dias de hoje.

Cindy Sherman , em sua fantástica obra camaleônica,  reflete justamente sobre esta “necessidade” que temos em assumir uma quantidade quase infinita de personagens em nossas vidas.

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Vivian Maier é protagonista de uma das histórias mais misteriosas da fotografia. Poderíamos dizer que ela era fotógrafa e se disfarçava de babá. No pouco que se sabe sobre esta recente descoberta da fotografia, ela parecia ser uma pessoa bastante reservada. Suas selfies trazem um embate com sua posição e condição social de invisibilidade.
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Nan Goldin em “The Ballad of Sexual Dependency” expõe sua inimidade, num auto retrato contundente, denunciando a agressão de seu ex companheiro.

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Juan Pablo Echeverri, artista colombiano, traz em suas diversas séries, todas explorando o autoretrato, uma discussão sobre identidade, gênero e as transformações que sofremos durante a vida:

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A tecnologia é fantástica, as possibilidades da fotografia digital e da acessibilidade a estes recursos também – mas a maneira como estamos nos apropriando de tudo carece de mais reflexão no gesto.

Estamos trocando nossa intimidade, nosso silêncio por espelhinhos, luzinhas, botões e likes, por quê?

David Kopenawa, liderança e filósofo  Yanomami, compartilha um pouco de sua reflexão sobre nós, “seres humanos da cidade”. Ele diz a seguinte frase: “O homem branco dorme muito, mas só sabe sonhar com ele mesmo”. As palavras de Kopenawa são bastante contundentes para mim e tratam da nossa geração. Desta incapacidade tremenda de olhar para além do espelho e conviver realmente com a diferença ou mesmo de perceber mais profundamente “em que ponto estamos”. A selfie é um sintoma de um mundo que parece querer falar apenas de si, que não olha pro seu entorno e por isso também tem poucas considerações pra fazer sobre ele.

Finalizo o post, com um selfie, óbvio.

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Danilo Christidis - Sócio-Diretor da Fluxo – Escola de Fotografia Expandida