Os jovens olhos de David Uzochukwu.

A Fluxo realizou uma entrevista exclusiva com o jovem fotógrafo belga David Uzochukwu, que acaba de ser vencedor do concurso EyeEm Awards, em Berlin. Nesta entrevista, bastante direta e de poucas palavras, dá pra ver que o guri é bom. Ele não tem pudores de manipular suas imagens e, por sinal, faz isso muito bem e com realismo, trazendo mais força para suas fotografias.  Certamente ainda vai nos mostrar muito. Podemos dizer que estamos ansiosos por ver mais deste jovem e notável fotógrafo.

Foto por David Uzochukwu

Foto por David Uzochukwu

David, como foi teu primeiro contato com a fotografia e o que te fez  apaixonar-se  por ela?

Eu descobri a fotografia durante um feriado no sul da França. A câmera compacta da minha mãe estava lá, sem uso, e assim que peguei ela, soube que não conseguiria mais largar. Eu fiquei incrivelmente fascinado pelo processo de fotografar, tinha algo muito viciante naquilo.

Quais são suas principais referências, tanto na fotografia, como na arte ou literatura e cinema?

Eu fui profundamente influenciado por Laura Zalenga, uma artista de auto retratos que sentiu a necessidade de estar dos dois lados da câmera ao mesmo tempo. Hoje, procuro não olhar muitas fotografias. Minhas maiores inspirações são provavelmente a música e o cinema.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

Sua fotografia “Cry me a river” foi a vencedora do EyeEm Awards, em Berlin. Você pode nos contar sobre sua inspiração para esta imagem e também um pouco sobre o processo de realização dela?

A fotografia foi tirada durante minha tentativa do projeto “100 dias”, e para ser honesto eu estava desanimado em meu jardim porque não tinha nenhum conceito em mente. Então eu vi a parede laranja, uma garrafa d’água ao lado e me deu um estalo. Eu derrubei água em meu rosto e removi digitalmente minhas mãos e a garrafa depois.

"Cry me a river": Fotografia vencedora do EyeEm Awards

“Cry me a river”: Fotografia vencedora do EyeEm Awards

Você tem somente 15 anos e seu trabalho é recheado de sensibilidade e emoção. Existe uma sensação de perda e vazio, e também uma busca por  identidade em suas imagens. Você diria que essa inspiração vem da montanha-russa emocional que é ser um adolescente?

Em parte? Talvez? Eu estou lidando com a vida em geral através da fotografia. Ser adolescente não tem algo a ver com isso necessariamente. Crescer é difícil às vezes, assim como se mudar, perder amigos e pessoas que ama, superar a negatividade e tentar ser o melhor ser humano que posso ser. Eu deixarei de ser um adolescente em algum momento, mas eu definitivamente não vou deixar de ser inspirado.

Você tem muitos auto-retratos em seu corpo de trabalho. Por que?

Eles são práticos. Eu não tenho que lidar com um modelo às 6 da manhã que esteja disposto a entrar em um lago gelado, eu mesmo o faço. Auto-retratos também são divertidos e é muito satisfatório ser o único moldando uma fotografia.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

Como acontece o seu processo criativo? Desde a inspiração até a imagem final.

Isto depende. Às vezes eu faço esboços antes de fotografar, outras vezes eu simplesmente saio e me inspiro com coisas pelas quais passo. Eu fotografo e, através da reação de diferentes aspectos (mudanças de luz, a descoberta de alguma pose que funciona, um ângulo interessante), a imagem normalmente parece diferente de como eu tinha imaginado. Depois faço a pós-produção, o que pode demorar 10 minutos ou 2 horas.

Quais seus planos para o futuro?

Eu quero crescer, explorar, tentar coisas novas. Eu recentemente comprei uma câmera de médio formato, para que eu finalmente possa voltar à fotografia analógica. Eu quero colaborar com pessoas que eu admiro, sair da minha zona de conforto e me desafiar. Existem tantas coisas para descobrir, tanta paixão para ser sentida, que eu mal posso esperar pelo que o futuro guarda.

Você tem alguma dica para jovens fotógrafos?

Na verdade, não me sinto na posição de dar conselhos para ninguém. Eu não tenho nem ideia do que estou fazendo e ainda estou tentando me descobrir.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

 

Site do fotógrafo:  http://www.daviduzochukwu.com/

 

Entrevista em inglês:

 

David you’re obviously a very talented young photographer so how were you introduced to the world of photography? And what made you fall in love with it?

I discovered photography during a holiday in the south of France. My mother’s point-and-shoot was lying around, and as soon as I picked it up I knew that I couldn’t put it down again. I was incredibly fascinated by the process of photographing, there was something that just made it very addictive for me.

 

Who or what are your greatest influences? Where do you seek inspiration? Photography? Art? Literature? Cinema?

I was heavily influenced by Laura Zalenga, a self-portait artist that made crave to stand on both side of the camera at the same time. I actively try not to look at too much photography anymore. My greatest inspiration are probably music and cinema.

 

Your photograph “Cry me a river” was the winner of the EyeEm Awards in Berlin. Can you tell us about your inspiration for this image and also a bit about your process of making it?

The picture was taken during my try at a 100-days-project, and to be honest I’d been sulking in the garden because I didn’t have any concepts in mind. Then I saw the orange wall, a watering can next to it and it clicked. I poured water over my face and removed my hands and the bottle that was used later in post.

 

You are only 15 and your work is filled with sensitivity and emotion. Theres a feeling of loss and emptiness, and also, a search for identity in your images. Would you say that this inspiration comes from the emotional roller coaster that is being a teenager?

Partly? Maybe? I’m dealing with life in general through photography, being a teenager doesn’t necessarily have something to do with it. Sometimes growing up is hard, but so is moving, losing friends and loved ones, getting over negativity and trying to be the best human you could possibly be. I’ll stop being a teenager at one point, I definitely won’t stop being inspired.

 

You have a lot of self-portraits in your body of work. Whys is that?

They’re practical. I don’t have to deal with organizing a model at 6am that is willing to get into a freezing pond, I’ll just do it myself! They’re also fun, it’s very satisfying to be the only one shaping a picture.

 

How is your creative process? Since inspiration untill the final image.

It depends. Sometimes I make sketches before shooting, sometimes I just go out and get inspired by things I run across. I shoot, and through reacting to different aspects (changing light, the discovery of a pose that just „works”, an interesting angle) the image often already looks different to how I had envisioned it. Then I post-process it, sometimes for ten minutes, sometimes for two hours.

 

What are your plans for the future?

I really want to grow, explore, try new things. I just got myself a medium format film camera, so I can finally get back to analog photography. I want to collaborate with people I admire, get out of my comfort zone and challenge myself. There are so many things to discover, so much passion to be felt, that I just really can’t wait for what the future holds.

 

Do you have any words of wisdom for the young photographers out there?

I actually really don’t feel like I’m in the position to give advice to anyone. I have no idea what I’m doing and am still trying to figure everything out myself.

Newton Cannito: Roteirista Global vem a Porto Alegre

Newton Cannito

Newton Cannito

Por Beca Furtado

Conheci o Newton Cannito em 2008 quando fiz a Produção Executiva de “Elvis e o Cometa”, selecionado pelo FICTV/Minc para realização de um piloto da série, produção e roteiros. Um projeto muito bom no qual tivemos o prazer da consultoria de grandes nomes relacionados a séries do Brasil. Para nossa sorte, Newton estava entre eles e a partir daí conheci mais seu trabalho.

Newton é criador e roteirista chefe do seriado "9mm: São Paulo"

Newton é criador e roteirista chefe do seriado “9mm: São Paulo”

Não sei por quê, mas ele foi o único que gostava da nossa série. Ajudou a criar o arco dramático dos personagens, plots, pontos de virada, e a história foi ganhando outro corpo. Foi nesse momento que entendi quem era o Newton. O cara é F. ! Logo depois ele assumiu a Secretaria do Audiovisual e ajudou a fomentar o audiovisual no Brasil. Atualmente Newton é Presidente da Associação dos Roteiristas, autor e roteirista de cinema e TV com inúmeros prêmios, além de ser contratado da Rede Globo.

Newton também foi roteirista do seriado "Cidade dos Homens"

Newton também foi roteirista do seriado “Cidade dos Homens”

Além de ser Doutor em Cinema pela ECA-USP. Neste dia 05 iniciam as aulas Seriado na TV – da ideia ao piloto com o Newton na Escola Fluxo. Espero passar por um período intenso de trocas com os alunos e curiosos em TV e cinema na próxima semana. Aproveitem MUITO, porque ele está aqui para nos ajudar a pensar e criar mais histórias que podem ser contadas por aí.

Mais informações sobre o curso aqui.

Não percam essa grande chance!

Educação visual: Fenômenos de relação e provocações.

Antes de mais nada, gostaria de colocar que todo este devaneio se expõe muito mais como um compartilhamento de reflexões em aberto do que uma proposição de caminhos. Dito isso, lá vai…

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Vivemos tempos de um intenso fenômeno na comunicação humana, uma alteração de pesos e signos, uma apropriação massiva de uma “nova” linguagem.
A fotografia/imagem, seja ela meme ou audiovisual, vem representando o protagonismo da nossa comunicação e da relação com os nossos círculos de relação. Expressamos o que sentimos, o que comemos, o que vestimos, para onde vamos. Expressar um pensamento com uma imagem bidimensional (às vezes complexo),  faz perceber o quão rico é este processo comunicacional que dá espaço a uma subjetividade mais múltipla e complexa que a própria palavra.  Ela consegue nos provocar um processo interpretativo quase incontrolável. Veja bem. Ao ler o título de um texto, posso escolher se sigo e leio,  ou posso me “blindar” de sua reverberação em meu interior. Já uma imagem, uma vez vista, pode esquecer, nossos neurônios já estão processando incontrolavelmente seus signos e mandando uma série de estímulos para todo o nosso corpo; este, por sua vez, vai tratar de dar sentido ao que vimos. Estamos caminhando a passos largos à uma comunicação que se coloca muito mais através do imagético do que do redigido. Não significa que não usaremos palavras, afinal, é através delas que, mesmo na relação com a imagem, buscamos organizar com mais consciência o sentido que queremos dar.

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A imprensa, a arte, a música e indústrias de comunicação criativa estão em certa medida mais empoderadas desta habilidade em maior ou menor escala. Porém, pela primeira vez, a população mundial está colocada como a grande geradora de estímulos visuais em uma plataforma aberta e acessível a todos. A viralização coloca qualquer indivíduo em potencial fenômeno midiático em rede. Atualmente, nas últimas grandes insurgências populares (Primavera Árabe, Junho Brasileiro e Umbrella Movement/China), a comunicação e profusão de notícias dentro dos acontecimentos bate de frente com a grande imprensa e compartilha de maneira diversa, instantânea e horizontalizada as informações através de imagens. Nos protestos de Hong Kong foi permitida a cobertura da grande imprensa, no entanto, o Instagram foi posto fora do ar.

Hong Kong sees second day of mass protests for Occupy Hong Kong

A educação visual nos dias de hoje não passa apenas por estudar a história da arte, em ir a exposições, museus ou ter uma conta no Instagram, passa por um processo mais profundo, pausado e consciente. Gosto de pensar que ao sacar uma fotografia, estamos produzindo uma série de escolhas e percepções inconscientes. Quando escolhemos o que colocamos dentro de um frame, escolhemos muito mais o que deixamos de fora. A leitura imagética é tão interessante por conta disso, ela trabalha em grande medida com nossa subjetividade, com nosso imaginário. Quando não falamos com as palavras, ou mesmo não verbalizamos a intenção, não produzimos a própria intenção em outra medida? Acredito que sim. A fotografia tem a capacidade de ampliar nossa sensorialidade silenciosa, consegue fazer com que nossas associações e estabelecimentos de sentidos trabalhem sob outras movimentações e canais. Quando apertamos o disparador, por que o fazemos? Enxergamos com os olhos, mas vemos com o corpo todo, sentimos com o corpo todo. Nosso ponto de vista se modifica a medida que todo o nosso corpo se move. Precisamos desta consciência para ver corretamente, ou melhor, ver por inteiro.

Me parece que essa tomada de  consciência faz parte da educação visual, nosso corpo todo precisa ser educado visualmente a fim de saber nos colocar na(s) perspectiva(s) correta(s) daquilo que buscamos compreender ou mesmo provocar compreensão.
Mas então, como intensificar este processo de educação visual?
Na filosofia taoísta existe uma expressão provinda dos textos clássicos do Tai Chi Chuan:

Vencer o movimento através da quietude (Yi Jing Zhi Dong) 以靜制動
Vencer a dureza através da suavidade (Yi Rou Ke Gang) 以柔克剛
Vencer o rápido através do lento (Yi Man Sheng Kuai) 以慢勝快

A intensidade de estímulos que vivemos nesta enlouquecida e desenfreada produção de imagens, esta necessidade de comunicar-se paralelamente com uma quantidade inconcebível de coisas e pessoas faz com que quase o tempo todo nos dividamos sensorialmente em várias atenções. Não sei até que ponto isso é bom ou até que ponto isso reduz nossa capacidade de conexão com cada coisa. Penso que é necessário estar por inteiro em algo, que a medida que nos dividimos, reduzimos nosso espaço em cada território de pensamento ou relação. Nossas relações vão se efemerizando, e acredito que isso é uma percepção de todos. Seguindo este ponto de vista, vale desacelerar, ao menos em algum momento, como um exercício de concentração, de conexão, para que nossa capacidade de produção e percepção se reordene e se enriqueça. Se olharmos nossa própria evolução enquanto humanos, vemos o quanto através da necessidade e da prática fomos evoluindo. Nossa capacidade de variar a palavra, de criar a música, de nos mover através da dança, do esporte ou mesmo das artes marciais. Tudo isso vem em evolução. Quando vemos que determinados atletas quebram determinadas recordes, penso, como é possível? Bem, em alguma medida seguimos numa linha evolutiva. Nosso grande portal de experiência nesta maravilha que é estar vivo é, no fim, o nosso corpo. Pois bem, talvez nunca tenhamos provocado tanto os nossos olhos e o nosso corpo para que eles se relacionem visualmente, para que eles produzam e percebam visualmente o sentido de algo. Devemos, assim como a leitura de um livro ou a prática de uma arte marcial, provocar mais conscientemente a nossa sensorialidade visual, afinal de contas, se trata do nosso corpo, que estimulado, evolui e atinge outros espaços para nos levar a outros desfrutes e experiências.

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Para finalizar, tendo este fenômeno como algo  desafiador, penso que cabe às instituições de ensino estarem mais conscientes deste processo, voltando-se  não apenas para a alfabetização escrita, mas também para a visual. É necessário criar novas lógicas e novos processos de ensino que observem justamente a horizontalidade e o empoderamento de toda produção, propondo também uma educação mais horizontalizada e inventiva, que coloque o “educado” também como educador dos seus. Ensinar através da própria experiência. Empoderar de ensino a quem precisa ser ensinado. Observamos os fenômenos, os estudamos, os classificamos, produzimos reflexões.  Quem classifica e reflete, quem se propõe a ensinar pautar o ensino, não deveria se misturar mais ao objeto de análise? Não deveriamos se tornar também o próprio fenômeno?
Quando dizemos “me faltam palavras” penso eu… bem, a experiência foi superior à capacidade de tangibilização através da palavra, mas experimentamos, vimos.

 

Danilo Christidis

Sócio Diretor da Fluxo – Escola de Fotografia Expandida.

Fotolivro e a fotografia documental

Por Rodrigo Hill

O surgimento da fotografia, no início do século 19, marca também o princípio da criação e utilização do fotolivro como instrumento comunicador da visão dos fotógrafos. Neste sentido, a história do fotolivro corre em paralelo com a história da fotografia. Sendo a impressão uma das plataformas que melhor apresenta uma fotografia, nada mais natural do que o fotolivro se tornar seu melhor companheiro.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

O fotolivro contemporâneo abrange uma gama de estratégias com o objetivo de contar uma história. Design gráfico e propriedades físicas do livro se tornaram crucial para dar forma às ideias dos fotógrafos. Em paralelo, a prática de fotografia documental tradicional se tornou problemática por diversas razões: a ideia da fotografia como documento do “real” foi desgastada pelo uso de tecnologias digitais aliado à tendência pós-moderna de questionar e analisar as intenções do fotógrafo frente a seu trabalho. Além disso, o pós-modernismo problematizou a própria noção de realidade como verdade absoluta.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

Por outro lado, a nova geração de fotógrafos documentais se tornou mais focada em temas de ordem pessoal e íntima, com o objetivo de não reformar o mundo, mas sabê-lo. Esta mudança provocou diferentes metodologias para aproximar temas diversos gerando formas distintas de narrativa. Neste cenário, o fotolivro aparece como um canvas muito útil para o fotógrafo, oferecendo muitos caminhos dentro de narrativas e maneiras para se contar uma história. O livro, portanto, ajuda a fotografia a se expandir com o uso de diversos recursos como textos, matéria prima, design e uma gama de imagens. Ou seja, é na diversidade desta plataforma que nasce o interesse contínuo de desenvolvimento das práticas criativas dos fotógrafos contemporâneos.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

A Fluxo traz à Porto Alegre o fotógrafo Rodrigo Hill para um curso inédito: “Fotografia Autoral – Ênfase em narrativas para fotolivros”.

O curso aborda técnicas de pré-produção, edição e pretende encorajar o aluno a criar sua própria voz como autor.

De 11 a 18 de Novembro

Inscrições pelo email contato@escolafluxo.com.br
Maiores informações aqui.

Quem John Malkovich quer ser?

por Thiago de Albuquerque

Sandro Miller é um renomado fotógrafo estadunidense especializado em retratos. O trabalho de Sandro é extremamente marcante tanto pelas fotos super expressivas, como pelo seu jogo magistral de luzes.

John Malkovich é um nome que vem direto à cabeça quando o assunto é expressão. O já lendário ator conquistou sua fama com sua atuação em trabalhos singulares na história do cinema. Gostaria, aqui, de relembrar o filme de Spike Jonze, de 2000, “Quero ser John Malkovich”. O longa conta a história de Craig Schwartz (Jon Cusack),um titereiro que arranja um emprego de arquivista, e no local de trabalho encontra uma porta que o leva diretamente para dentro da cabeça de John Malkovich. A obra consegue, a partir de uma história surrealista, tratar de assuntos absurdamente reais. Parte dessa veracidade do filme se deve à interpretação de Malkovich, que é capaz de viver várias pessoas, de maneiras distintas, dentro de si mesmo.

JOHN

Juntar, então, Miller e Malkovich, só podia resultar em coisa boa, não é? E foi isso que aconteceu. O fotógrafo resolveu, com a ajuda do amigo ator, recriar retratos icônicos. Dessa parceria surgiu a série chamada “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homenagem aos Mestres da Fotografia”. As duas partes envolvidas mostraram o porque que são tão aclamados, cada um em sua respectiva área: John Malkovich imprimiu sua versatilidade e força cênica nas expressões; e Sandro Miller conseguiu recriar as imagens sem nenhum uso de photoshop para refazer as luzes e as sombras dos originais. Confira o resultado abaixo:

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro MillerFoto por: Sandro Miller
Quer aprender como tirar um belo retrato? Na Oficina Le Portrait é ensinado tudo que compõe um retrato, como iluminação, tanto natural como em estúdio, direção de modelos e toda a técnica envolvida. Curso ministrado pelos experientes fotógrafos Danilo Christidis e Daniel de Los Santos.

De 15 a 29 de Outubro
Quartas e Sextas das 14h30 às 17h30
Duração 15 horas

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
Mais informações clique aqui.

Desafio Surfari Uruguay

O Surfari, criado em 2011, é um site voltado para a cultura surf (e dos boardsports relacionados) que traz conteúdo relevante para a galera que curte o assunto, e conta com entrevistas, posts relacionados ao esporte e também ao lifestyle, incluindo viagens, comida e arte. Um país que vem se destacando no cenário mundial nos últimos tempos, sendo pelo posicionamento político do seu presidente, pela legalização da cannabis ou pelas campanhas ecológicas bem sucedidas, é o nosso querido vizinho Uruguay. Além de tudo isso, as praias do Uruguay são cada vez mais frequentadas por brasileiros (não apenas mais pelos gaúchos) e são um pico perfeito pro surf.

Pensando nisso, o pessoal do Surfari, que todo ano faz um evento com um país tema (Austrália em 2012 e Estados Unidos/Califórnia em 2013), esse ano resolveu fazer diferente e engajar a comunidade do surf e da fotografia.

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O Desafio Surfari Uruguay é uma competição de fotos entre grupos de amigos que estão dispostos a se aventurar no litoral uruguaio. A proposta é a seguinte: uma barca de 02 a 05 amigos se junta e passa alguns dias surfando e vivendo em algum lugar da costa uruguaia (pode ser um final de semana, um feriado…), nesse processo os amigos fazem 10 fotos, 5 de surf e 5 de lifestyle.

Para participar do concurso fotográfico, basta mandar as fotos para o email contato@surfari.com.br e, se atender aos pré-requisitos, a barca é aceita e já está concorrendo! A escolha dos vencedores e entrega da premiação ocorrerá durante a segunda semana de dezembro desse ano, no evento anual do Surfari.

O Desafio Surfari Uruguay conta com o patrocínio de Mormaii e o apoio da Fluxo Escola de Fotografia Expandida, Calicultural Intercâmbio, Art in Surf, Ogio, Blenders Eyewear e Ogro Surfboards.

Confira aqui o regulamento.

Quer participar mas não entende muito de fotografia? Faça um de nossos cursos, do Curso Básico de Fotografia Expandida ao Workshop de GoPro, que a gente te ajuda nesta empreitada!

Saiba mais sobre o Curso Básico de Fotografia Expandida aqui, e sobre o Workshop de GoPro aqui.

o último retrato de john lennon

por Thiago de Albuquerque

O retrato traduz a singularidade de sentimentos e expressões, o que antes era registrado através da arte da pintura, hoje é exposto a partir do clique das câmeras fotográficas.

Foto: John Keatley

Foto: John Keatley

Em dezembro de 1980, a fotógrafa Annie Leibovitz, tirou o último retrato de John Lennon, que horas depois viria a ser assassinado. O Beatle insistiu que Yoko Ono deveria ser fotografada junto dele. Annie concordou, então, em tirar o retrato dos amantes. A fotógrafa pediu para que o casal deixasse o momento fluir com naturalidade. John, nu, enrolou-se e envolveu Yoko, ao seu lado, totalmente vestida. Annie usou uma câmera instantânea para capturar o momento. Naquele momento, os três logo souberam que se tratava de uma imagem profunda. John e Yoko exclamaram a Annie: “Você capturou exatamente nosso relacionamento.”

Foto: Annie Leibovitz

Foto: Annie Leibovitz

Ali, naquele momento, com seu retrato, Leibovitz eternizou de forma forte e, ao mesmo tempo sensível, a relação dos dois.

Quer aprender sobre essa arte e os fatores que compõem um belo retrato?

Faça parte da Oficina Le Portrait com os fotógrafos Danilo Christidis e Daniel de los Santos na Fluxo – Escola de Fotografia Expandida.

De 15 a 29 de Outubro
Quartas e Sextas das 14h30 às 17h30
Duração 15 horas

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
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Evgen Bavcar: ensaio sobre a cegueira e a fotografia

por Thiago de Albuquerque

“Isso é muito importante. Não devemos falar a língua dos outros, nem utilizar o olhar dos outros, porque, nesse caso existimos através do outro. É preciso tentar existir por si mesmo.” Evgen Bavcar

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Evgen Bavcar é um fotógrafo da Eslovênia, que ainda quando criança sofreu dois acidentes que o roubaram a visão. Fotógrafo? Cego? A história incrível desse fotógrafo com suas obras expostas em várias partes do mundo é uma das contadas no documentário “Janela da Alma”, dos cineastas brasileiros João Jardim e Walter Carvalho.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Bavcar teve seu primeiro contato com uma câmera fotográfica depois de já ter perdido sua visão. No documentário o artista relata da vez que “fotografou o invisível” ao registrar sua sobrinha correndo por um campo e balançando um sininho, para ele saber onde ela estava.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Retratos nus fazem parte da obra do fotógrafo, porém com o intuito de tornar as modelos em seres mortais. Segundo ele, o retrato não é feito da nudez e sim da mortalidade, como Adão e Eva que ao terem consciência de sua nudez também tiveram consciência de sua mortalidade.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

O cineasta Wim Wenders acredita, justamente, em pessoas que são capazes de ver não apenas com os olhos, mas também com os ouvidos, o estômago, o cérebro e a alma. Evgen também acredita que sua cegueira não o priva de ver. O artista, percebe que em um mundo cada vez mais imagético as pessoas olham, porém não enxergam, assim como na obra literária “Ensaio sobre a cegueira”, de Saramago.

No curso Básico de Fotografia Expandida, da Escola Fluxo, o aluno aprende não só a linguagem fotográfica, mas também a tentar existir por si mesmo nessa arte.
Turma Sábado – de 04 a 25 de Outubro
Turma Tarde – de 13 a 29 de Outubro
Turma Noite – de 14 de Outubro a 04 de Novembro
Turma Manhã – de 15 a 24 de Outubro

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
Mais informações aqui

OcidenteS na tela grande – Série sobre o Bar Ocidente no cinema

Por Bruno Polidoro

Na semana de 25 de setembro a 01 de outubro, o CineBancários exibirá, sempre na sessão das 19h e com entrada franca, o especial OcidenteS, reunindo quatro episódios da ousada série produzida em Porto Alegre, filmados principalmente em uma locação: o mítico Bar Ocidente, no Bom Fim.

Cada episódio se passa em uma década: anos 1980, 1990, 2000 e 2010. E cada década é traduzida pela sensibilidade particular de um diretor sintonizado com ela: Carlos Gerbase volta aos anos oitenta, Fabiano de Souza se transporta aos noventa, Bruno Polidoro retorna à primeira década deste século, e João Gabriel de Queiroz permanece no presente. A série tem direção geral de Fabiano de Souza e é uma realização da Rainer Cine, em co-produção com a Besouro Filmes.

cartaz Ocidentes no cinema

Sinopse

A cidade vista através de histórias que se passam no Ocidente, o bar que acompanhou os descaminhos artísticos e amorosos de gerações e gerações. Entre os sabores particulares das madrugadas dos últimos anos, OcidenteS mostra como o DNA festeiro de Porto Alegre foi sofrendo mutações no decorrer de quatro décadas. As celebrações noturnas, as preferências etílicas, os gestos e as gírias temperam quatro contos visuais inspirados no Bar Ocidente. Ao mesmo tempo em que cada história é independente, possuindo personagens particulares, a progressão dos episódios cria uma narrativa que mapeia alterações nas relações humanas e sociais. As formas de falar, dançar, namorar, se relacionar e comunicar variam de época para época e ajudam a contar uma história de Porto Alegre através de uma das facetas mais interessantes da vida. A vida noturna.

1986. Uma banda de punk-rock formada por quatro amigas ensaia há algum tempo e faz pequenos shows no Bar Ocidente. De repente, sem qualquer aviso, a antiga baterista (fundadora da banda e ex-namorada da vocalista), volta do exterior e diz que vai reassumir seu lugar.

1999. Cristiano chega ao Bar Ocidente para a última festa do século. Lá, reencontra, em memória, a turma do seu irmão mais velho. Lembrando da namorada de um amigo do seu irmão, Cristiano recorda que ela comemorou três aniversários no bar. Três aniversários, três flertes e uma década.

2007. Em uma noite de festa, entre cigarros, doses e corpos, um garoto de 20 anos se vê incapaz de compreender a intensidade do toque. Na área de fumantes, um rapaz e uma garota se aproximam dele. A dúvida entre os afetos e a solidão.

2014 ou depois. Numa festa de formatura, Fil e Sofia se despedem de Mirah, que vai morar no exterior. Na pista de dança, os três amigos se conectam e se encontram entre suas memórias e aspirações.

Confira até dia 01 de Outubro!

Bruno Polidoro ministra o Curso Cinematografia – Jogo de Luzes e Sombras na Direção de Fotografia na Escola Fluxo, com turma iniciando dia 24 de Outubro. O curso pretende um mergulho do participante no universo da direção de fotografia para o audiovisual, com foco no cinema, através da união das principais questões pertinentes ao fotógrafo: câmera e desenho de luz. Para tal, há a construção das questões conceituais – permitindo ampliar as percepções sobre o mundo e o imaginário, com as práticas cotidianas, como utilização da luz natural, refletores, enquadramento e câmera.

Ficha Técnica de OcidenteS

Direção geral: Fabiano de Souza / Direção dos Episódios: Carlos Gerbase, Fabiano de Souza, Bruno Polidoro e João Gabriel Queiroz /  Roteiros: Carlos Gerbase, Fabiano de Souza, Bruno Polidoro, Livia Pasqual e João Gabriel Queiroz / Direção de fotografia: Bruno Polidoro e João Gabriel Queiroz / Direção de arte: Enio Ortiz e Ana Musa Produção Executiva: Jéssica Luz, Milton do Prado e Fabiano de Souza Montagem: Milton do Prado / Som direto: André Sittoni e Tomaz Borges / Edição de Som e Mixagem: André Sittoni /  Música: 4Nazzo /  Realização: Rainer Cine

Elenco: Joana Vieira, Tainá Gallo, Júlia Barth, Liege Massi, Guilherme Kury, Miriã Possani, Fred Vasques, Carina Dias, Mateus Almada, Rossendo Rodrigues, Thiago Prade, Henrique Larré, Marcio Reolon, Carolina Sudati, Rafael Tombini, Samuel Reginatto, Eduardo Cardoso, Filipe Rossato, Mirah Laline, Francine Kliemann, Natalia Karam, Maí Yandara, Martina Fröhlich, Francisco dos Santos Gick, Niel Barbosa, Ariel Artur, Felipe Grimm

Por que fazer o Curso de Fotografia Documental?

A jornada fotográfica não possui limites. O ato de olhar, ver e perceber exige uma certa disciplina de espírito, uma medida de concentração e organização de todos estes estímulos.

Desaparecimento
Certa vez, li em um livro chinês bastante antigo que, não encontra as respostas quem não ainda não sabe formular bem as suas perguntas. A melhor resposta é sempre curta, objetiva, mas a pergunta deve estar bem arranjada.
Uma resposta realmente valiosa é aquela que é dada através de um exemplo.

Bem, na fotografia documental antes de encontrar as resposas, precisamos organizar bem nossas perguntas, armazenar o insconsciente de um belo repertório, de boas referências.
O ato de ir ao mundo querendo colher seus parágrafos com uma câmera, seja ele um universo intimo ou amplo vai sempre exigir um certo método, um necessário processo que nos leva ao amadurecimento da percepção, do pensamento e da capacidade de construir uma narrativa através do que se vê e se colhe.

azulejos
Pois bem. Durante o curso de fotografia documental oferecemos um banquete de referências e trocas de idéias, a fim de aguçar, estimular e aumentar as possibilidades, orferecer alternativas e experiências que podem servir de caminhos futuros a todos aqueles que desejam se aventurar com sua câmera. Mas o espírito de aventura não se faz suficiente sem o olhar interno que nos permite juntar as peças e realmente resolver de maneira tangível tudo o experimentamos. O Documentarista é aquele sujeito mediador que tem o seu corpo atravessado por uma série de coisas e neste fluxo ele recolhe todos os sintomas mais significativos e as sutilezas mais pertinentes com o bjetivo  de compartilhar com o mundo, tudo aquilo que foi sentido e visto. Quem sabe nesta dança de ir e vir, nossas histórias, se bem contadas podem servir de combustível para os outros.

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Neste sentido, o curso de fotografia documental da fluxo é para todos aqueles que queiram aprender a contar melhor suas histórias a partir das imagens. Gosto de pensá-lo como algo bem mais amplo que um curso teórico onde o professor fala e o aluno anota e pergunta. Vamos bem além, atuamos como provocadores, facilitadores de processos e durante os encontros, iremos auxiliar o processo de construção do projeto de cada um, trazendo nossas experiências e mirando sempre o que existe de maior frescor nas possibilidades de potencilizar a contação de histórias imagéticas de cada um.
A experiência da fotografia é individual e coletiva, sempre.

Leo Caobelli, ministrante do curso é um contador como poucos, além de integrar o Coletivo Garapa, é um grande estudioso da fotografia documental e possui uma capacidade ímpar de orientador, é daqueles que consegue ver no outro suas melhores qualidades e apontar caminhos frutíferos para uma caminhada mais rica e proveitosa na fotografia.
Caobelli venceu junto com o GARAPA a Bolsa Zum de fotografia, um dos mais prestigiosos prêmios de fotografia do continente. Além disso, realizou um trabalho durante a copa do mundo para a a agência Magnum Photos. Bem se quer mais?
Vem fazer o curso!

 

Mais informações: http://escolafluxo.com.br/site/portfolio/fotografia-documental/

 

Post: Danilo Christidis