A vida, a morte e tudo que há no meio pela fotografia de Polixeni Papapetrou

A fotógrafa grega radicada na Austrália, Polixeni Papapetrou, é uma artista com uma visão singular. Com um trabalho profundo, perturbador e extremamente biográfico, a fotógrafa discorre sobre temas como a as transições da vida, a morte e os limites da identidade. Tivemos o prazer de conversar com esta talentosíssima artista que nos contou tudo sobre suas inspirações e sua vida. Confira a entrevista abaixo:

Polixeni, primeiramente eu gostaria de saber como você entrou no mundo da fotografia e o que te fez se apaixonar por ele?

Minha história não é aquela típica história de ser apaixonada por arte desde pequena e ir para uma escola de arte. Quando eu era criança eu não tinha confiança nos meus desenhos e me sentia inadequada para as aulas de artes. Então, eu decidi me focar na área acadêmica e, ao deixar a escola, fui estudar direito e comecei minha vida profissional como uma advogada. No entanto, enquanto advogava, eu desenvolvi um interesse por fotografia. Foi através de um encontro com um livro de fotografias da fotógrafa americana Diane Arbus, no meio dos anos 80, que revelou o poder da fotografia para mim. Eu queria fazer fotografias que fossem como as dela. Eu comprei uma rolleflex, como a que Diane Arbus tinha e no meu tempo livre eu comecei a estudar fotografia e tirar retratos de pessoas. Eu até escrevi para Richard Avedon durante este período, assim que eu soube que ele era amigo de Diane Arbus. Eu cheguei a receber duas cartas resposta dele. Em 1993, enquanto ainda trabalhava como advogada, eu comecei meus estudos de fotografia e com o tempo se tornou claro pra mim de que que esse seria o trabalho da minha vida. Eu continuei praticando o direito até os anos 2000, quando decidi me tornar uma artista em tempo integral. Em 2007 me graduei com PhD em belas artes.

Quem ou o que são suas maiores influências? Onde você procura inspiração? Fotografia? Arte? Literatura? Cinema?

Por onde começar? Minhas influências e inspirações vem de muitas fontes: música, arte, literatura, filmes, minha família, amigos e comida. Mas o que é em cada um desses é difícil de generalizar. Mais difícil ainda é falar da inspiração que vem do inconsciente, a qual eu sei que existe mas não reconheço e começo a entender devagarinho através das minhas fotos. Mas se inspirar como uma artista é um pouco diferente da felicidade que que se experiencia ao olhar um belo animal ou uma casa esplêndida. Por mais fascinante que estas coisas sejam, elas não me fazem conceber um trabalho artístico. Mas uma paisagem me inspiraria, assim como um trabalho histórico da fotografia ou da pintura. Eu também me interesso por história, mais especificamente na parte social. A história da infância me interessa tanto quanto a história da representação de gêneros, ambos são dependentes das construções sociais e culturais do momento histórico que estão inseridos.

Gatsby Gal da série Phantomwise, 2003

Gatsby Gal da série Phantomwise, 2003

No início do seu trabalho você fotografou muito as pessoas que estavam à margem da sociedade, por que? O que você acha fascinante sobre essas pessoas?

No meu começo, no fim dos anos 80, eu estava fotografando moradores de rua, drag queens, fãs do Elvis, imitadores da Marilyn Monroe e fisioculturistas. Eu me sentia atraída para fotografar pessoas que viviam nas extremidades do que era convencional. Crescer numa casa que só se falava grego, sendo a filha de imigrantes que foram para a Austrália, fez com que eu me sentisse como alguém que não pertencia a sociedade branca e convencional australiana. No início do século 20 a Austrália adotou uma “Política da Austrália Branca” e, apesar de ter se destituído por completo pelo meio dos anos 70, o efeito de quase 70 anos desta política, infelizmente, ainda tinha uma influência na psique nacional durante minha infância, fomentando uma atitude dentro da cultura australiana de apenas receber bem alguns europeus, especialmente aqueles que também falavam inglês. Enquanto o chauvinismo herdado é facilmente desconstruído hoje em dia, um pouco da antipatia oculta restou e se transferiu para outras minorias.
Eu me sentia uma intrusa por muitos anos, separada por diferenças culturais. Eu era sensível à ideia de não pertencer à sociedade convencional e nos meus primeiros trabalhos fotográficos eu estava tirando fotos de grupos de pessoas que desviavam disso ou não se encaixam nesse arquétipo convencional. Eu estava interessada nas diferenças. Apesar dos diversos grupos que eu fotografei, o que eles todos tinham em comum é que eles estavam performando suas identidades. Mais do que isso, eu tentei entender o que significa ser humano e eu ainda estou investigando isso. Então, naturalmente eu segui o caminho de explorar questões sobre identidade e diferenças.

Heaven, série Searching for Marilyn, 2002

Heaven, série Searching for Marilyn, 2002

A partir de 2002 teu trabalho começou a ir mais a fundo no mundo da infância e dos sonhos. O que aconteceu?Que elementos trouxeram este tema para o teu trabalho?

Esta é uma pergunta complexa. Primeiramente, como uma mãe cuidando de crianças pequenas eu estava restrita nas maneiras que eu poderia trabalhar fora de casa. Eu comecei a convidar pessoas no meu estúdio de casa e quando minha filha me via fotografar essas pessoas ela sempre pedia para eu fotografá-la também. O que começou como uma brincadeira, de brincarmos juntas com a câmera, se desenvolveu como algo mais profundo para nós duas. Enquanto eu fotografia Olympia (filha) questões sobre a falta de brincadeiras na minha infância começaram a ser levantadas. De certa maneira eu estava experienciando o que a infância poderia ser com ela e através dela. Eu comecei a prestar atenção no funcionamento dos seus mundos internos e de como as crianças entendiam o mundo externo e o mundo dos adultos. Eu queria capturar o espaço que a criança cria enquanto brinca – o espaço entre realidade e imaginação, onde ambiguidade e contradição se juntam como uma nova unidade – um espaço que é compartilhado tanto pela criança quanto pelo observador.

Série Melancholia, 2014

Série Melancholia, 2014

Qual o seu processo de produção de uma fotografia? Como uma ideia vira uma imagem? E as máscaras e acessórios presentes nas fotos, tu mesmo que cria?

Esta é uma boa pergunta. Eu amo usar máscaras e acessórios no meu trabalho porque eles tem uma função tanto performática, quanto simbólica, que produz ambiguidades de ser, identidade, idade, gênero e outras coisas. Eu gosto da máscara como um acessório porque ela permite quem a está usando a perder sua identidade, então ele se torna ninguém em particular, mas eles começam a funcionar de um jeito simbólico, retratando uma figura mais universal. A máscara pode ocultar ou segurar a identidade, mas a revela de outras maneiras. Eu acho que roupas fazem isso também, e eu gosto de escolher os figurinos que melhorem a identidade que eu estou criando. Eu tento garimpar roupas vintage e acessórios para as fotos, mas alguns eu pego da minha casa mesmo. Quando eu não encontro o figurino que eu quero, eu faço ele com a minha mãe, que é costureira de vestidos. Eu tenho cerca de 100 máscaras diferentes e muitas vezes as altero dando um penteado especial ou as maquiando.

Meu processo de produção, no entanto, é muito simples e minhas produções parecem bem discretas quando eu me comparo com a maneira que outros fotógrafos trabalham. Na locação vai somente a minha família e, as vezes, um amigo que irá ajudar. Eu uso um processo similar com o de alguém que estaria trabalhando no teatro. Eu dependo de fantasias, acessórios, direção e performances para realizar minhas ideias. Mas eu também sou apaixonada por história, a fenomenologia da idade, imaginação, arquétipos, personagens estranhos e por aí vai. Até pouco atrás eu utilizava uma Hasselblad, usando entre 5 e 7 rolos de filme para cada shoot, algo entre 60 e 84 fotos. Mais recentemente eu comecei a trabalhar com uma Nikon D800 e estou amando a câmera. Demora um tempo até você construir uma relação com a câmera e sentir que você entende ela.

Eu trabalho com imagens de filme escaneadas e arquivos digitais. Eu não edito minhas imagens, mas utilizo o processo digital da mesma maneira que eu trabalharia em um quarto escuro. A maior parte do trabalho digital em cima de um arquivo é para limpar a imagem e balancear os tons, o contraste e a cor.

Em geral, como é dirigir as crianças em suas fotografias? Você pede para eles atuarem de acordo com alguma história específica ou deixa o momento acontecer?

Isso depende muito do projeto, do clima e do momento. Eu sempre começo um projeto com uma ideia. Mas não é necessariamente a ideia que prevalece ao final do dia. As vezes, movimentos imprevistos aparecem e a espontaneidade das crianças tem uma uma certa sabedoria peculiar. A imagem ganha uma certa perspicácia que parece vir de lugar nenhum, mas claro que vem de algum lugar. Mesmo quando a criança fez algum movimento de grande intuição teatral – pelos quais eu tenho que agradecer a elas – isso provavelmente aconteceu por estarem magicamente em sintonia com algo que estou tentando formular, porque nós falamos muito sobre a cena. Mas minhas direções precisas nem sempre acabam sendo adequadas para suscitar o que as crianças inventam. Na verdade, como qualquer ator, eles tem que achar o aspecto teatral por eles mesmos e eu posso dar somente dicas, uma direção, e dependo deles para interpretarem minhas ideias. Minhas direções não tão claras muitas vezes acabam frustrando minhas crianças e elas tornam tudo mais fácil pra mim, porque elas são inventivas sem deteriorar a presença delas com auto-consciência.

As narrativas misteriosas em seu trabalho, as máscaras e a busca por identidade, como no seu trabalho “Searching for Marilyn” (2002), tem alguma relação com seus próprios conceitos de identidade? Sendo filha de imigrantes gregos e morando na Austrália tem alguma relação com todo este conceito de identidade em suas fotos?

Definitivamente. Ao crescer em uma cultura Anglo Saxônica, que fala inglês, eu me perguntava onde eu pertencia , já que não me sentia inteiramente grega nem australiana. Eu não acho que este tipo de coisa me incomoda ainda, mas enquanto se está crescendo você não quer se sentir diferente. Quando você é jovem você quer se encaixar e se misturar com algum grupo, pois ser excluída por ser diferente pode ser humilhante. No entanto, como adulta, o oposto se torna verdade e ser considerada diferente pode ser algo para se orgulhar. Estas questões e sentimentos de desconforto ao crescer abriram minha mente para questionar o que identidade significa, e como nós definimos nós mesmos, se fazemos isso em um nível pessoal ou se a sociedade constrói os parâmetros de identidade para nós.

No meu trabalho eu mostro que a identidade é algo fluido, maleável e pode ser construída. As crianças, como atores, representam outras identidades que não as delas, transgredindo fronteiras e borrando as linhas entre fantasia e teatro, mitologia e realidade, arquétipos e liberdade de expressão, homem e mulher, criança e adulto, animal e ser humano. Na minha série Phantomwise (2002), Olympia, com quatro anos de idade, foi capaz de transgredir as barreiras de idade, etnia e gênero, através de vestidos, máscaras e performances. Em Between Worlds (2009) as crianças vestiram máscaras de animais, permitindo que elas habitassem uma posição intermediária que separasse elas de adultos e humanos e de animais. Eu queria colidir outra forma de alteridade, misturando crianças e animais em um só corpo. Elas aparecem como algo que conseguimos reconhecer, mas elas estavam hibridizadas para revelar um estado de transição. Em The Dreamkeepers (2012) as crianças vestiram máscaras, fantasias e acessórios para parecerem idosas. Eu queria colidir noções de alteridade, criança e idoso em um só corpo. No entanto, em toda a diferença que eu crio em minhas personagens eu gostaria que elas simbolizassem um tipo universal nos quais possamos ver um pouco de nós mesmos.

The Mouner, série Between Worlds, 2012

The Mouner, série Between Worlds, 2012

Se é sobre sua própria infância, como você se sente sobre reviver ela através de suas fotografias?

Nem todos meus trabalhos são sobre minha infância (sem contar a série Games of Consequences, de 2008). Eu sou mais interessada em olhar como a infância é representada de uma perspectiva histórica e contemporânea. Em minhas fotografias eu gosto de levar o espectador para reinos de fantasias e estórias. Eu também gosto de explorar questões que permeiam a representação da criança na fotografia, assim como capturar os humores e emoções que afloram nas crianças, de acordo com minhas memórias pessoais e as experiências que eu compartilho com as crianças. Não é tanto sobre minha experiencia e mais sobre meu entendimento da infância.

Porém, mais que isso, meu trabalho é sobre refletir a experiência do ser humano no grande ciclo de crescer e envelhecer. Não é sobre infância somente, mas sim sobre o que a infância significa como uma experiência universal compartilhada. Em si mesma, a fase da infância é especialmente sagrada na vida de cada um. É um período tão curto, no contexto de uma vida inteira, mas é um período formativo porque muitas coisas importantes acontecem na infância. Nossas memórias de infância, sendo elas boas ou assombrosas, continuam nos afetando durante toda nossas vidas. Infância parece ser um processo contínuo e seu propósito é começar a se tornar cada vez menos uma criança, mas nós adultos queremos preservar este momento, e muitas vezes procuramos por nossa criança interior perdida em outras crianças. Eu acho estranho que crianças querem virar adultos e quando crescem, especialmente quando alcançam uma certa idade, querem se sentir crianças de novo. Eu continuo voltando para essa condição forte e misteriosa que é ser criança.

Em seu trabalho existe uma grande relação entre diferentes momentos de vida se mesclando, como em Dreamkeepers (2012), onde o tema de suas fotos eram crianças com bengalas e máscaras de idosos. Existe uma relação entre vida e morte no seu trabalho? Porque este assunto lhe interessa tanto?

Você acertou em cheio sobre eu tratar do tema mortalidade. Em outubro de 2007 eu fui diagnosticada de câncer, em um estágio inicial, e as minhas chances de recuperação total eram garantidas. No entanto, no fim dos 5 anos recomendados de tratamento, ao invés de me curar, o câncer virou metastático e eu fui diagnosticada com câncer terminal em estágio 4, em novembro de 2012.
Desde o diagnóstico inicial em 2007 eu senti uma mudança no meu trabalho, de maneira que comecei a depender menos de roteiros pré existentes e narrativas e a criar trabalhos que viessem de dentro e propõe um acesso maior ao inconsciente. Eu comecei a trabalhar de uma maneira mais intuitiva e orgânica. Eu gostei de fazer o The Dreamkeepers, o qual eu considero o meu trabalho mais humano, apesar de algumas pessoas acharem confrontador. Em The Dreamkeepers eu estava interessada em olhar para estados transicionais da vida. Falar sobre algo que comentei antes em nossa conversa, sobre a ideia de jovens se sentirem velhos e velhos se sentirem jovens. Eu pensei que, ao transitar de uma fase da vida para outra, crescer de uma criança para um adolescente tinha paralelos com transitar de um adulto para um idoso. Independentemente de nossa idade nós sempre carregamos dentro de nós esses opostos e somos sempre velhos e sempre novos. Mas é o tempo mesmo que causa nossas transformações e mudanças. The Dreamkeepers nos lembra de nossas próprias transformações, do tempo lembrando nossos corpos e mentes do ciclo natural de nossas vidas que inevitavelmente nos traz de volta a vulnerabilidade e liberdade da juventude.

Mais recentemente eu debati este tema numa série chamada Melancolia. No fim de 2012, durante um período de falência de órgãos, quando eu achei que não ia sobreviver, eu corri para fazer mais imagens da minha filha nessa série, Melancolia. Eu a vesti em fantasias vintage de palhaço e máscaras para falar sobre identidade, personas, alteridade, disfarce e medo. Eu usei a figura do palhaço para expressar algo próximo a mim, sobre nossos sentimentos de tristeza, horror e medo diante da face do desconhecido. Eu queria traçar um paralelo entre a transformação na imaginação do público da persona do palhaço e as atitudes alteradas em relação a morte e o morrer , ambos aparentemente sob o peso de um medo e ansiedade do desconhecido. Tanto o palhaço, quanto a morte, muitas vezes são envoltos em um véu de escuridão, tristeza, repulsa e medo na consciência contemporânea. Mas nem o palhaço nem a morte usa sua verdadeira face e ambos evocam tristeza e medo. Eu queria deixar de lado essas construções e olhar além do físico para questionar nossa compreensão da identidade e de ser.

No momento eu estou trabalhando em novas fotos que falam sobre a doença, lesão, que é uma outra forma de alteridade.

The Philosopher, série The Dreamkeepers, 2011

The Philosopher, série The Dreamkeepers, 2011

Você tem alguma dica para jovens fotógrafos que estão começando?

Gostaria de incentivar todos os interessados ​​em fotografia a olhar o máximo de livros de fotografia e monografias da história da foto. Tudo a partir das imagens tableaux vivant do século 19 para a fotografia documental até a fotografia dirigida. Gostaria de incentivar novos fotógrafos a serem pró-ativos , para tirar muitas fotos e submetê-las à crítica inteligente, pensar como um artista e desenvolver uma compreensão para o poético. Quando eu comecei a minha jornada fotográfica eu experimentei com muitos estilos, tirei centenas de fotos e examinei-as cuidadosamente para qualquer pequena falha que eu poderia encontrar.

Foi um caso de prática, prática, prática e eu fotografei todos que eu conhecia e estranhos também. É este processo que afina a nossa visão e habilidades. Hoje, com câmeras digitais esse tipo de atividade é mais acessível . Este é um grande incentivo para pegar a câmera e começar a olhar para o mundo e para si mesmo dentro dele, através da lente.

Também é útil olhar para dentro, para trabalhar com a sua vida interior, bem como olhar para o mundo . Algumas das melhores fotografias podem ser feitas em casa e não dependem de produções técnicas elaboradas ou viagens. Você acabará encontrando o seu estilo e sua voz.

Para conferir mais do trabalho de Polixeni clique aqui.

Miles from Nowhere, série Game of Consequence, 2008

Miles from Nowhere, série Game of Consequence, 2008

Confira a entrevista em inglês:

Polixeni, first of all I would like to know how did you enter the world of photography and what made you fall in love with it?

My story is not the usual story about having a passion for art from a young age and going to art school. Growing up as a child, I didn’t have any confidence in my drawing and felt inadequate during art classes. I decided to focus on academic studies and leaving school I went to law school and began my professional working life as a lawyer. However, while working as a lawyer I developed an interest in photography. It was an encounter with a book of photographs by the American photographer Diane Arbus in the mid 80s that revealed photography’s power to me. I wanted to make pictures that felt like hers. I bought a twin-lens camera like Diane Arbus’ and in my spare time I began studying photography and taking pictures of people. I even wrote to Richard Avedon during this period, as I knew that he had been a friend of Diane Arbus’. I received 2 letters back from him. In 1993, while still working as a lawyer I began my studies in photography in 1993 and over time it became clear that this would become my life’s work. . I continued to practice law until 2000 when I decided to become a full time artist. In 2007 I graduated with a PhD in fine arts.

Who or what are your greatest influences? Where do you seek inspiration? Photography? Art? Literature? Cinema?

Where to begin? My influences and inspiration comes from many sources, music, art, literature, film, to family, friends and food. But what it is in each of these is hard to generalize. Even harder to talk about is the inspiration that comes from the unconscious, that which I know but do not recognize and slowly begin to understand through my pictures. But being inspired as an artist is a bit different to the happiness and that I experience in looking at a beautiful animal or splendid home. As fascinating as these things are they do not make me conceive an artwork. But a landscape would inspire me, as would a work from the history of photography or painting. I am also interested in history and specific areas such as social history. The history of childhood interests me as much as the history of gender representation; both are dependent on the social and cultural constructs of the times that we live in.

In the beginning of your work you photographed a lot of people from the margins of society, why is that? What do you think is captivating about those people?

In my earlier years, the late 80s, I was photographing homeless people, and drag queens, Elvis fans, Marilyn Monroe impersonators and body builders. I was drawn to photographing people who lived on the edge of the conventional mainstream. Growing up in a Greek-speaking household as a child of immigrant parents to Australia I felt that I did not belong to mainstream white Australian society. In the early 20th century Australia adopted a ‘White Australia Policy” and although it was dismantled fully by the mid 70s the effect of almost 70 years of this policy still had an unfortunate influence on the national psyche during my early years, cementing an attitude within the culture of an Australia welcoming only certain Europeans and especially favouring those from an English speaking background; and while the inherited chauvinism is now easily deconstructed, some of the hidden antipathy remained and transferred itself to other minorities.
I felt like an outsider for many years separated by cultural differences. I was sensitive to the idea of not belonging to the conventional mainstream and in my early photographic work I was taking pictures of groups of people who deviated from or did not fit the mainstream archetype. I was interested in ‘otherness’. Despite the diverse groups that I photographed what they all had in common was that they were performing their identity. But more than this I have tried to understand what it means to be human and I’m still investigating this. So naturally I went down the path of exploring issues of identity and otherness.

Starting in 2002 your work began to go deeper into the world of childhood and dreams, what happened? What elements brought this theme into your work?

This is a complex question. At first as a mother looking after young children I was restricted in the way that I could work outside of the house. I began to invite people into my home studio and when my daughter saw me photographing people in the studio she would always ask if I could take her picture too. What began as a game of playing together with the camera developed into something more profound for both of us. As I photographed Olympia questions began to arise for me about the lack of play in my own childhood. In many ways I was experiencing what childhood could be with her and through her. I started to pay attention to the workings of their internal world and how children make sense of the outer world and the world of adults. I wanted to capture the space that children create during play—the space between reality and the imaginative, where ambiguity and contradiction come together as a new unity—a space that is shared by both the child and the observer.

What is your production process with a photograph? How does and idea becomes a printed image? And all the masks and props, you make them yourself?

This is a good question. I love to use masks and props in my work because they have both a performative function and symbolic function that produces ambiguities of being, identity, age, gender and so on. I like the mask as a prop as it enables the wearers of the mask to lose their identity so they are no one in particular, but they begin to function in a symbolic way portraying a more universal figure. The mask can conceal or hold back identity, but reveals it in other ways. I think that clothes do this too and I like to choose the costumes that enhance the identity that I am creating. I try to source vintage outfits and props for the pictures but some of the props come from the home. When I can’t find the costume that I want, I make them with my mother who is a dressmaker. I have close to 100 different masks and I often alter a mask by giving it a special hairstyle or adding makeup to the face.

My production process is very simple, though, and my productions seem low-key when I compare myself to the way that other photographer’s work. On location it is just my family and sometimes a friend who will help. I use a similar process to someone who would work in theatre. I rely on costumes, props, directing and performance to realize my ideas. But I’m also passionate about history, the phenomenology of age, imagination, archetypes, strange characters and so on. Until recently I used a Hasselblad taking between 5 to 7 rolls of film for each shoot, anything from 60 to 84 pictures. More recently I have begun to work with a Nikon D800 and I am beginning to love this camera a lot. It takes a while to build up the relationship with the camera and feel as if you know and understand it.

I work from scanned film images and also digital files. I do not composite my images but rather use the digital process in the same way that I would work in the traditional darkroom. The majority of digital work done on a file is performed with a view to cleaning the file, balancing tonal contrast and colour.

In general, how is directing the children in your photographs? Do you ask them for acting to a specific story or just let the moment happen?

It depends a lot on the conception, the mood and the moment. I always begin a project with an idea. But it isn’t necessarily the idea that prevails at the end of the day. Sometimes, unforeseen gestures arise; and the children’s spontaneity has a peculiar wisdom. The image gains a kind of clairvoyance that seems almost to come from nowhere; but of course it comes from somewhere. Even when the children have made a move of great theatrical intuition—for which I have to thank them—it has probably arisen because they are magically in sympathy with something that I am trying to formulate; because we talk about the scene a lot. But my precise directions would not always be adequate to elicit what they come up with. In fact, like any actor, they have to find the stage-aspect for themselves and I can only give a cue, a direction and I depend on them to interpret my ideas. My unclear directions often frustrate my children and they make it easy for me because they are inventive without spoiling their presence with self-consciousness.

The mysterious narratives in your work, the masks and the search for identity, link in your work ‘Searching for Marilyn’ (2002), is there any relation with your own concepts of identity? Being the daughter of Greek immigrants living in Australia has anything to do with the whole identity concept in your photos?

Definitely – growing up in an English speaking Anglo Saxon culture I wondered where I belonged as I felt feeling neither fully Greek nor Australian. I don’t think that this type of thing bothers me anymore, but when you are growing up you don’t want to feel different. When you are young you want to fit and blend in with the group because being singled out as different can feel humiliating. However, as an adult the opposite would be true and to be singled out as different can be something to be proud of. These questions and feelings of unease growing up opened my mind up to the question of what identity means, and how we define ourselves, whether we do this on a personal level or society constructs the parameters of identity for us.
In my work I show that identity is something that is fluid, malleable and can be constructed. The children, like actors, perform identities other than their own, transgressing boundaries and blurring the lines between fantasy and theatre, mythology and reality, archetype and free play, male and female, child and adult and animal and human. In my series Phantomwise (2002) Olympia as a four year old was able to transgress boundaries of age, ethnicity and gender through dress, masks and her performances. In Between Worlds (2009) the children wore animal masks, allowing them to inhabit an intermediary position that separates them from adults and human from animal. I wanted to collapse two forms of otherness, namely animals and children into the one body. They appeared as something we recognized, but they were hybridized to reveal an in-between state. In The Dreamkeepers (2012) the children wearing masks, costumes and using props appeared as elderly. I wanted to collapse notions of otherness, children and the aged into the one body. However in all the difference that I create in my characters I would like them to symbolize a universal type that we can see a little of ourselves in these characters.

If it’s about your own childhood, how do you feel about “rewinding’ your childhood through your photographs?

Not all the works are about my own childhood (other than the series Games of Consequence 2008). I am more interested in looking at how we represent childhood from both a historical and contemporary perspective. In my photographs I like to take the viewer into the realms of fantasy and story telling. I also like to explore issues surrounding the portrayal of the child in photography, as well as capturing the moods and emotions that arise in children according to my personal memory and the experiences that I share with the children. It’s not so much about my growing up, but rather about my understanding of childhood.

But more than this my work is about reflecting on the experience of being human in the grand cycle of growing up and declining. It is not about my childhood as such, but what childhood means to us as a universal shared experience. In itself, the stage of childhood is an especially sacred time in one’s life. It is such a brief period in the context of a lifetime, but it’s a formative time because many of the important things that happen to us do so in childhood. Our childhood memories, whether they are pleasant or haunting continue to affect us throughout our lives. Childhood seems to be an ongoing process and its purpose is to become less and less of a child, but as adults we want to preserve this moment and often look for our lost child selves in children. I find it odd that children want to become adults and as adults, especially when we reach a certain age, we want to feel like children again. I keep returning to this mysterious and powerful condition of what it means to be a child.

In your work there is a huge relation between different moments of life merging together, like in your work ‘The Dreamkeepers’ (2012), where the subject of your photos were children with walking sticks and masks with an older aspect. Is there a relation between life and death on your work? Why does this subject matter to you?

You have guessed correctly that I touch upon the theme of mortality. In October 2007 I was diagnosed with early stage cancer and my chances for a full recovery were guaranteed. However at the end of the recommended 5 year course of treatment, rather than being cured, the cancer had become metastatic and I was diagnosed with Stage 4 terminal cancer in November 2012.
Since the initial diagnosis in 2007 I felt a shift in my work in that I relied less on pre-existing scripts and narratives and have been creating work that arises form within and proposes greater access to the unconscious.  I began to work in a more intuitive and organic way. I enjoyed making ‘The Dreamkeepers’ which I consider to be the most human of all my pictures, although some people have found it confronting. In The Dreamkeepers I was interested in looking at transitional stages in life. Talk about something that I mentioned earlier in this conversation about the idea of young people feeling old and old people feeling young. I thought that in transitioning from one liminal phase of life to another, growing up from a child into an adolescent had some parallels to the transitioning from adult to aged adult. Irrespective of our age we all carry within us the germ of the opposite and we are always old and always young. But it is time itself that causes our transformation and we change. The Dreamkeepers reminds us of our own shape shifting, of time playing out on our bodies and minds of the cyclical nature of our life-spans that inevitably brings us back to the vulnerability and freedom of youth.
More recently I tackled this theme in a series called Melancholia. In late 2012 during a period of organ failure when I was not expected to survive I rallied to make some more images of my daughter in a series called ‘Melancholia’. I dressed her in vintage clown costumes and masks to talk about identity, personas, otherness, disguise and fear. I used the figure of the clown to express something close to me about our feelings of sadness, horror and fear in the face of the unknown. I wanted to draw a parallel between the transformation in the public imagination of the clown’s persona and the changed attitudes towards death and dying, both seemingly weighed down by a fear and anxiety of the unknown. Both the clown and death often cloaked in a veil of darkness, sadness, repulsion and fear in contemporary consciousness. But neither the clown nor death wears its true face and both are evoke sadness and fear. I wanted to put aside these constructs and look beyond the physical to question our understanding of identity and being.
At the moment I am working on new pictures that talk about illness, injury, sickness which is another form of otherness.

Do you have any words of wisdom for the young photographers out there?

I would encourage anyone interested in photography to look at as many photography books and monographs from the history of photography. Everything from the tableaux vivant images of the 19th century to documentary to directorial photography. I would encourage new photographers to be proactive, to take lots of pictures and subject them to thoughtful criticism, to think like an artist and develop an understanding for the poetic. When I began my photographic journey I experimented with many styles, took hundreds of pictures and scrutinized them carefully for any little fault that I could find.

It was a case of practice, practice, practice and I photographed everyone I knew as well as strangers. It is this process that fine tunes our vision, sight and skills. Today with digital cameras this type of activity is more affordable. This is a great incentive to pick up the camera and begin to look at the world and yourself in the world through the lens.
It is also helpful to look within, to work with your inner life as well as looking out into the world. Some of the best photographs can be made at home and don’t depend on elaborate technical productions or travel. By being in the space and working away both thoughtfully and also in an experimental way you eventually will find your style and your voice.

Os jovens olhos de David Uzochukwu.

A Fluxo realizou uma entrevista exclusiva com o jovem fotógrafo belga David Uzochukwu, que acaba de ser vencedor do concurso EyeEm Awards, em Berlin. Nesta entrevista, bastante direta e de poucas palavras, dá pra ver que o guri é bom. Ele não tem pudores de manipular suas imagens e, por sinal, faz isso muito bem e com realismo, trazendo mais força para suas fotografias.  Certamente ainda vai nos mostrar muito. Podemos dizer que estamos ansiosos por ver mais deste jovem e notável fotógrafo.

Foto por David Uzochukwu

Foto por David Uzochukwu

David, como foi teu primeiro contato com a fotografia e o que te fez  apaixonar-se  por ela?

Eu descobri a fotografia durante um feriado no sul da França. A câmera compacta da minha mãe estava lá, sem uso, e assim que peguei ela, soube que não conseguiria mais largar. Eu fiquei incrivelmente fascinado pelo processo de fotografar, tinha algo muito viciante naquilo.

Quais são suas principais referências, tanto na fotografia, como na arte ou literatura e cinema?

Eu fui profundamente influenciado por Laura Zalenga, uma artista de auto retratos que sentiu a necessidade de estar dos dois lados da câmera ao mesmo tempo. Hoje, procuro não olhar muitas fotografias. Minhas maiores inspirações são provavelmente a música e o cinema.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

Sua fotografia “Cry me a river” foi a vencedora do EyeEm Awards, em Berlin. Você pode nos contar sobre sua inspiração para esta imagem e também um pouco sobre o processo de realização dela?

A fotografia foi tirada durante minha tentativa do projeto “100 dias”, e para ser honesto eu estava desanimado em meu jardim porque não tinha nenhum conceito em mente. Então eu vi a parede laranja, uma garrafa d’água ao lado e me deu um estalo. Eu derrubei água em meu rosto e removi digitalmente minhas mãos e a garrafa depois.

"Cry me a river": Fotografia vencedora do EyeEm Awards

“Cry me a river”: Fotografia vencedora do EyeEm Awards

Você tem somente 15 anos e seu trabalho é recheado de sensibilidade e emoção. Existe uma sensação de perda e vazio, e também uma busca por  identidade em suas imagens. Você diria que essa inspiração vem da montanha-russa emocional que é ser um adolescente?

Em parte? Talvez? Eu estou lidando com a vida em geral através da fotografia. Ser adolescente não tem algo a ver com isso necessariamente. Crescer é difícil às vezes, assim como se mudar, perder amigos e pessoas que ama, superar a negatividade e tentar ser o melhor ser humano que posso ser. Eu deixarei de ser um adolescente em algum momento, mas eu definitivamente não vou deixar de ser inspirado.

Você tem muitos auto-retratos em seu corpo de trabalho. Por que?

Eles são práticos. Eu não tenho que lidar com um modelo às 6 da manhã que esteja disposto a entrar em um lago gelado, eu mesmo o faço. Auto-retratos também são divertidos e é muito satisfatório ser o único moldando uma fotografia.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

Como acontece o seu processo criativo? Desde a inspiração até a imagem final.

Isto depende. Às vezes eu faço esboços antes de fotografar, outras vezes eu simplesmente saio e me inspiro com coisas pelas quais passo. Eu fotografo e, através da reação de diferentes aspectos (mudanças de luz, a descoberta de alguma pose que funciona, um ângulo interessante), a imagem normalmente parece diferente de como eu tinha imaginado. Depois faço a pós-produção, o que pode demorar 10 minutos ou 2 horas.

Quais seus planos para o futuro?

Eu quero crescer, explorar, tentar coisas novas. Eu recentemente comprei uma câmera de médio formato, para que eu finalmente possa voltar à fotografia analógica. Eu quero colaborar com pessoas que eu admiro, sair da minha zona de conforto e me desafiar. Existem tantas coisas para descobrir, tanta paixão para ser sentida, que eu mal posso esperar pelo que o futuro guarda.

Você tem alguma dica para jovens fotógrafos?

Na verdade, não me sinto na posição de dar conselhos para ninguém. Eu não tenho nem ideia do que estou fazendo e ainda estou tentando me descobrir.

Foto de David Uzochukwu

Foto de David Uzochukwu

 

Site do fotógrafo:  http://www.daviduzochukwu.com/

 

Entrevista em inglês:

 

David you’re obviously a very talented young photographer so how were you introduced to the world of photography? And what made you fall in love with it?

I discovered photography during a holiday in the south of France. My mother’s point-and-shoot was lying around, and as soon as I picked it up I knew that I couldn’t put it down again. I was incredibly fascinated by the process of photographing, there was something that just made it very addictive for me.

 

Who or what are your greatest influences? Where do you seek inspiration? Photography? Art? Literature? Cinema?

I was heavily influenced by Laura Zalenga, a self-portait artist that made crave to stand on both side of the camera at the same time. I actively try not to look at too much photography anymore. My greatest inspiration are probably music and cinema.

 

Your photograph “Cry me a river” was the winner of the EyeEm Awards in Berlin. Can you tell us about your inspiration for this image and also a bit about your process of making it?

The picture was taken during my try at a 100-days-project, and to be honest I’d been sulking in the garden because I didn’t have any concepts in mind. Then I saw the orange wall, a watering can next to it and it clicked. I poured water over my face and removed my hands and the bottle that was used later in post.

 

You are only 15 and your work is filled with sensitivity and emotion. Theres a feeling of loss and emptiness, and also, a search for identity in your images. Would you say that this inspiration comes from the emotional roller coaster that is being a teenager?

Partly? Maybe? I’m dealing with life in general through photography, being a teenager doesn’t necessarily have something to do with it. Sometimes growing up is hard, but so is moving, losing friends and loved ones, getting over negativity and trying to be the best human you could possibly be. I’ll stop being a teenager at one point, I definitely won’t stop being inspired.

 

You have a lot of self-portraits in your body of work. Whys is that?

They’re practical. I don’t have to deal with organizing a model at 6am that is willing to get into a freezing pond, I’ll just do it myself! They’re also fun, it’s very satisfying to be the only one shaping a picture.

 

How is your creative process? Since inspiration untill the final image.

It depends. Sometimes I make sketches before shooting, sometimes I just go out and get inspired by things I run across. I shoot, and through reacting to different aspects (changing light, the discovery of a pose that just „works”, an interesting angle) the image often already looks different to how I had envisioned it. Then I post-process it, sometimes for ten minutes, sometimes for two hours.

 

What are your plans for the future?

I really want to grow, explore, try new things. I just got myself a medium format film camera, so I can finally get back to analog photography. I want to collaborate with people I admire, get out of my comfort zone and challenge myself. There are so many things to discover, so much passion to be felt, that I just really can’t wait for what the future holds.

 

Do you have any words of wisdom for the young photographers out there?

I actually really don’t feel like I’m in the position to give advice to anyone. I have no idea what I’m doing and am still trying to figure everything out myself.

Newton Cannito: Roteirista Global vem a Porto Alegre

Newton Cannito

Newton Cannito

Por Beca Furtado

Conheci o Newton Cannito em 2008 quando fiz a Produção Executiva de “Elvis e o Cometa”, selecionado pelo FICTV/Minc para realização de um piloto da série, produção e roteiros. Um projeto muito bom no qual tivemos o prazer da consultoria de grandes nomes relacionados a séries do Brasil. Para nossa sorte, Newton estava entre eles e a partir daí conheci mais seu trabalho.

Newton é criador e roteirista chefe do seriado "9mm: São Paulo"

Newton é criador e roteirista chefe do seriado “9mm: São Paulo”

Não sei por quê, mas ele foi o único que gostava da nossa série. Ajudou a criar o arco dramático dos personagens, plots, pontos de virada, e a história foi ganhando outro corpo. Foi nesse momento que entendi quem era o Newton. O cara é F. ! Logo depois ele assumiu a Secretaria do Audiovisual e ajudou a fomentar o audiovisual no Brasil. Atualmente Newton é Presidente da Associação dos Roteiristas, autor e roteirista de cinema e TV com inúmeros prêmios, além de ser contratado da Rede Globo.

Newton também foi roteirista do seriado "Cidade dos Homens"

Newton também foi roteirista do seriado “Cidade dos Homens”

Além de ser Doutor em Cinema pela ECA-USP. Neste dia 05 iniciam as aulas Seriado na TV – da ideia ao piloto com o Newton na Escola Fluxo. Espero passar por um período intenso de trocas com os alunos e curiosos em TV e cinema na próxima semana. Aproveitem MUITO, porque ele está aqui para nos ajudar a pensar e criar mais histórias que podem ser contadas por aí.

Mais informações sobre o curso aqui.

Não percam essa grande chance!

Educação visual: Fenômenos de relação e provocações.

Antes de mais nada, gostaria de colocar que todo este devaneio se expõe muito mais como um compartilhamento de reflexões em aberto do que uma proposição de caminhos. Dito isso, lá vai…

img228
Vivemos tempos de um intenso fenômeno na comunicação humana, uma alteração de pesos e signos, uma apropriação massiva de uma “nova” linguagem.
A fotografia/imagem, seja ela meme ou audiovisual, vem representando o protagonismo da nossa comunicação e da relação com os nossos círculos de relação. Expressamos o que sentimos, o que comemos, o que vestimos, para onde vamos. Expressar um pensamento com uma imagem bidimensional (às vezes complexo),  faz perceber o quão rico é este processo comunicacional que dá espaço a uma subjetividade mais múltipla e complexa que a própria palavra.  Ela consegue nos provocar um processo interpretativo quase incontrolável. Veja bem. Ao ler o título de um texto, posso escolher se sigo e leio,  ou posso me “blindar” de sua reverberação em meu interior. Já uma imagem, uma vez vista, pode esquecer, nossos neurônios já estão processando incontrolavelmente seus signos e mandando uma série de estímulos para todo o nosso corpo; este, por sua vez, vai tratar de dar sentido ao que vimos. Estamos caminhando a passos largos à uma comunicação que se coloca muito mais através do imagético do que do redigido. Não significa que não usaremos palavras, afinal, é através delas que, mesmo na relação com a imagem, buscamos organizar com mais consciência o sentido que queremos dar.

instagram-food
A imprensa, a arte, a música e indústrias de comunicação criativa estão em certa medida mais empoderadas desta habilidade em maior ou menor escala. Porém, pela primeira vez, a população mundial está colocada como a grande geradora de estímulos visuais em uma plataforma aberta e acessível a todos. A viralização coloca qualquer indivíduo em potencial fenômeno midiático em rede. Atualmente, nas últimas grandes insurgências populares (Primavera Árabe, Junho Brasileiro e Umbrella Movement/China), a comunicação e profusão de notícias dentro dos acontecimentos bate de frente com a grande imprensa e compartilha de maneira diversa, instantânea e horizontalizada as informações através de imagens. Nos protestos de Hong Kong foi permitida a cobertura da grande imprensa, no entanto, o Instagram foi posto fora do ar.

Hong Kong sees second day of mass protests for Occupy Hong Kong

A educação visual nos dias de hoje não passa apenas por estudar a história da arte, em ir a exposições, museus ou ter uma conta no Instagram, passa por um processo mais profundo, pausado e consciente. Gosto de pensar que ao sacar uma fotografia, estamos produzindo uma série de escolhas e percepções inconscientes. Quando escolhemos o que colocamos dentro de um frame, escolhemos muito mais o que deixamos de fora. A leitura imagética é tão interessante por conta disso, ela trabalha em grande medida com nossa subjetividade, com nosso imaginário. Quando não falamos com as palavras, ou mesmo não verbalizamos a intenção, não produzimos a própria intenção em outra medida? Acredito que sim. A fotografia tem a capacidade de ampliar nossa sensorialidade silenciosa, consegue fazer com que nossas associações e estabelecimentos de sentidos trabalhem sob outras movimentações e canais. Quando apertamos o disparador, por que o fazemos? Enxergamos com os olhos, mas vemos com o corpo todo, sentimos com o corpo todo. Nosso ponto de vista se modifica a medida que todo o nosso corpo se move. Precisamos desta consciência para ver corretamente, ou melhor, ver por inteiro.

Me parece que essa tomada de  consciência faz parte da educação visual, nosso corpo todo precisa ser educado visualmente a fim de saber nos colocar na(s) perspectiva(s) correta(s) daquilo que buscamos compreender ou mesmo provocar compreensão.
Mas então, como intensificar este processo de educação visual?
Na filosofia taoísta existe uma expressão provinda dos textos clássicos do Tai Chi Chuan:

Vencer o movimento através da quietude (Yi Jing Zhi Dong) 以靜制動
Vencer a dureza através da suavidade (Yi Rou Ke Gang) 以柔克剛
Vencer o rápido através do lento (Yi Man Sheng Kuai) 以慢勝快

A intensidade de estímulos que vivemos nesta enlouquecida e desenfreada produção de imagens, esta necessidade de comunicar-se paralelamente com uma quantidade inconcebível de coisas e pessoas faz com que quase o tempo todo nos dividamos sensorialmente em várias atenções. Não sei até que ponto isso é bom ou até que ponto isso reduz nossa capacidade de conexão com cada coisa. Penso que é necessário estar por inteiro em algo, que a medida que nos dividimos, reduzimos nosso espaço em cada território de pensamento ou relação. Nossas relações vão se efemerizando, e acredito que isso é uma percepção de todos. Seguindo este ponto de vista, vale desacelerar, ao menos em algum momento, como um exercício de concentração, de conexão, para que nossa capacidade de produção e percepção se reordene e se enriqueça. Se olharmos nossa própria evolução enquanto humanos, vemos o quanto através da necessidade e da prática fomos evoluindo. Nossa capacidade de variar a palavra, de criar a música, de nos mover através da dança, do esporte ou mesmo das artes marciais. Tudo isso vem em evolução. Quando vemos que determinados atletas quebram determinadas recordes, penso, como é possível? Bem, em alguma medida seguimos numa linha evolutiva. Nosso grande portal de experiência nesta maravilha que é estar vivo é, no fim, o nosso corpo. Pois bem, talvez nunca tenhamos provocado tanto os nossos olhos e o nosso corpo para que eles se relacionem visualmente, para que eles produzam e percebam visualmente o sentido de algo. Devemos, assim como a leitura de um livro ou a prática de uma arte marcial, provocar mais conscientemente a nossa sensorialidade visual, afinal de contas, se trata do nosso corpo, que estimulado, evolui e atinge outros espaços para nos levar a outros desfrutes e experiências.

800px-Flammarion
Para finalizar, tendo este fenômeno como algo  desafiador, penso que cabe às instituições de ensino estarem mais conscientes deste processo, voltando-se  não apenas para a alfabetização escrita, mas também para a visual. É necessário criar novas lógicas e novos processos de ensino que observem justamente a horizontalidade e o empoderamento de toda produção, propondo também uma educação mais horizontalizada e inventiva, que coloque o “educado” também como educador dos seus. Ensinar através da própria experiência. Empoderar de ensino a quem precisa ser ensinado. Observamos os fenômenos, os estudamos, os classificamos, produzimos reflexões.  Quem classifica e reflete, quem se propõe a ensinar pautar o ensino, não deveria se misturar mais ao objeto de análise? Não deveriamos se tornar também o próprio fenômeno?
Quando dizemos “me faltam palavras” penso eu… bem, a experiência foi superior à capacidade de tangibilização através da palavra, mas experimentamos, vimos.

 

Danilo Christidis

Sócio Diretor da Fluxo – Escola de Fotografia Expandida.

Fotolivro e a fotografia documental

Por Rodrigo Hill

O surgimento da fotografia, no início do século 19, marca também o princípio da criação e utilização do fotolivro como instrumento comunicador da visão dos fotógrafos. Neste sentido, a história do fotolivro corre em paralelo com a história da fotografia. Sendo a impressão uma das plataformas que melhor apresenta uma fotografia, nada mais natural do que o fotolivro se tornar seu melhor companheiro.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

O fotolivro contemporâneo abrange uma gama de estratégias com o objetivo de contar uma história. Design gráfico e propriedades físicas do livro se tornaram crucial para dar forma às ideias dos fotógrafos. Em paralelo, a prática de fotografia documental tradicional se tornou problemática por diversas razões: a ideia da fotografia como documento do “real” foi desgastada pelo uso de tecnologias digitais aliado à tendência pós-moderna de questionar e analisar as intenções do fotógrafo frente a seu trabalho. Além disso, o pós-modernismo problematizou a própria noção de realidade como verdade absoluta.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

Por outro lado, a nova geração de fotógrafos documentais se tornou mais focada em temas de ordem pessoal e íntima, com o objetivo de não reformar o mundo, mas sabê-lo. Esta mudança provocou diferentes metodologias para aproximar temas diversos gerando formas distintas de narrativa. Neste cenário, o fotolivro aparece como um canvas muito útil para o fotógrafo, oferecendo muitos caminhos dentro de narrativas e maneiras para se contar uma história. O livro, portanto, ajuda a fotografia a se expandir com o uso de diversos recursos como textos, matéria prima, design e uma gama de imagens. Ou seja, é na diversidade desta plataforma que nasce o interesse contínuo de desenvolvimento das práticas criativas dos fotógrafos contemporâneos.

Foto por: Rodrigo Hill

Foto por: Rodrigo Hill

A Fluxo traz à Porto Alegre o fotógrafo Rodrigo Hill para um curso inédito: “Fotografia Autoral – Ênfase em narrativas para fotolivros”.

O curso aborda técnicas de pré-produção, edição e pretende encorajar o aluno a criar sua própria voz como autor.

De 11 a 18 de Novembro

Inscrições pelo email contato@escolafluxo.com.br
Maiores informações aqui.

Quem John Malkovich quer ser?

por Thiago de Albuquerque

Sandro Miller é um renomado fotógrafo estadunidense especializado em retratos. O trabalho de Sandro é extremamente marcante tanto pelas fotos super expressivas, como pelo seu jogo magistral de luzes.

John Malkovich é um nome que vem direto à cabeça quando o assunto é expressão. O já lendário ator conquistou sua fama com sua atuação em trabalhos singulares na história do cinema. Gostaria, aqui, de relembrar o filme de Spike Jonze, de 2000, “Quero ser John Malkovich”. O longa conta a história de Craig Schwartz (Jon Cusack),um titereiro que arranja um emprego de arquivista, e no local de trabalho encontra uma porta que o leva diretamente para dentro da cabeça de John Malkovich. A obra consegue, a partir de uma história surrealista, tratar de assuntos absurdamente reais. Parte dessa veracidade do filme se deve à interpretação de Malkovich, que é capaz de viver várias pessoas, de maneiras distintas, dentro de si mesmo.

JOHN

Juntar, então, Miller e Malkovich, só podia resultar em coisa boa, não é? E foi isso que aconteceu. O fotógrafo resolveu, com a ajuda do amigo ator, recriar retratos icônicos. Dessa parceria surgiu a série chamada “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homenagem aos Mestres da Fotografia”. As duas partes envolvidas mostraram o porque que são tão aclamados, cada um em sua respectiva área: John Malkovich imprimiu sua versatilidade e força cênica nas expressões; e Sandro Miller conseguiu recriar as imagens sem nenhum uso de photoshop para refazer as luzes e as sombras dos originais. Confira o resultado abaixo:

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro Miller

Foto por: Sandro MillerFoto por: Sandro Miller
Quer aprender como tirar um belo retrato? Na Oficina Le Portrait é ensinado tudo que compõe um retrato, como iluminação, tanto natural como em estúdio, direção de modelos e toda a técnica envolvida. Curso ministrado pelos experientes fotógrafos Danilo Christidis e Daniel de Los Santos.

De 15 a 29 de Outubro
Quartas e Sextas das 14h30 às 17h30
Duração 15 horas

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
Mais informações clique aqui.

Desafio Surfari Uruguay

O Surfari, criado em 2011, é um site voltado para a cultura surf (e dos boardsports relacionados) que traz conteúdo relevante para a galera que curte o assunto, e conta com entrevistas, posts relacionados ao esporte e também ao lifestyle, incluindo viagens, comida e arte. Um país que vem se destacando no cenário mundial nos últimos tempos, sendo pelo posicionamento político do seu presidente, pela legalização da cannabis ou pelas campanhas ecológicas bem sucedidas, é o nosso querido vizinho Uruguay. Além de tudo isso, as praias do Uruguay são cada vez mais frequentadas por brasileiros (não apenas mais pelos gaúchos) e são um pico perfeito pro surf.

Pensando nisso, o pessoal do Surfari, que todo ano faz um evento com um país tema (Austrália em 2012 e Estados Unidos/Califórnia em 2013), esse ano resolveu fazer diferente e engajar a comunidade do surf e da fotografia.

IMG_1392

O Desafio Surfari Uruguay é uma competição de fotos entre grupos de amigos que estão dispostos a se aventurar no litoral uruguaio. A proposta é a seguinte: uma barca de 02 a 05 amigos se junta e passa alguns dias surfando e vivendo em algum lugar da costa uruguaia (pode ser um final de semana, um feriado…), nesse processo os amigos fazem 10 fotos, 5 de surf e 5 de lifestyle.

Para participar do concurso fotográfico, basta mandar as fotos para o email contato@surfari.com.br e, se atender aos pré-requisitos, a barca é aceita e já está concorrendo! A escolha dos vencedores e entrega da premiação ocorrerá durante a segunda semana de dezembro desse ano, no evento anual do Surfari.

O Desafio Surfari Uruguay conta com o patrocínio de Mormaii e o apoio da Fluxo Escola de Fotografia Expandida, Calicultural Intercâmbio, Art in Surf, Ogio, Blenders Eyewear e Ogro Surfboards.

Confira aqui o regulamento.

Quer participar mas não entende muito de fotografia? Faça um de nossos cursos, do Curso Básico de Fotografia Expandida ao Workshop de GoPro, que a gente te ajuda nesta empreitada!

Saiba mais sobre o Curso Básico de Fotografia Expandida aqui, e sobre o Workshop de GoPro aqui.

o último retrato de john lennon

por Thiago de Albuquerque

O retrato traduz a singularidade de sentimentos e expressões, o que antes era registrado através da arte da pintura, hoje é exposto a partir do clique das câmeras fotográficas.

Foto: John Keatley

Foto: John Keatley

Em dezembro de 1980, a fotógrafa Annie Leibovitz, tirou o último retrato de John Lennon, que horas depois viria a ser assassinado. O Beatle insistiu que Yoko Ono deveria ser fotografada junto dele. Annie concordou, então, em tirar o retrato dos amantes. A fotógrafa pediu para que o casal deixasse o momento fluir com naturalidade. John, nu, enrolou-se e envolveu Yoko, ao seu lado, totalmente vestida. Annie usou uma câmera instantânea para capturar o momento. Naquele momento, os três logo souberam que se tratava de uma imagem profunda. John e Yoko exclamaram a Annie: “Você capturou exatamente nosso relacionamento.”

Foto: Annie Leibovitz

Foto: Annie Leibovitz

Ali, naquele momento, com seu retrato, Leibovitz eternizou de forma forte e, ao mesmo tempo sensível, a relação dos dois.

Quer aprender sobre essa arte e os fatores que compõem um belo retrato?

Faça parte da Oficina Le Portrait com os fotógrafos Danilo Christidis e Daniel de los Santos na Fluxo – Escola de Fotografia Expandida.

De 15 a 29 de Outubro
Quartas e Sextas das 14h30 às 17h30
Duração 15 horas

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
Mais informações aqui

Evgen Bavcar: ensaio sobre a cegueira e a fotografia

por Thiago de Albuquerque

“Isso é muito importante. Não devemos falar a língua dos outros, nem utilizar o olhar dos outros, porque, nesse caso existimos através do outro. É preciso tentar existir por si mesmo.” Evgen Bavcar

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Evgen Bavcar é um fotógrafo da Eslovênia, que ainda quando criança sofreu dois acidentes que o roubaram a visão. Fotógrafo? Cego? A história incrível desse fotógrafo com suas obras expostas em várias partes do mundo é uma das contadas no documentário “Janela da Alma”, dos cineastas brasileiros João Jardim e Walter Carvalho.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Bavcar teve seu primeiro contato com uma câmera fotográfica depois de já ter perdido sua visão. No documentário o artista relata da vez que “fotografou o invisível” ao registrar sua sobrinha correndo por um campo e balançando um sininho, para ele saber onde ela estava.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

Retratos nus fazem parte da obra do fotógrafo, porém com o intuito de tornar as modelos em seres mortais. Segundo ele, o retrato não é feito da nudez e sim da mortalidade, como Adão e Eva que ao terem consciência de sua nudez também tiveram consciência de sua mortalidade.

Foto: Evgen Bacar

Foto: Evgen Bavcar

O cineasta Wim Wenders acredita, justamente, em pessoas que são capazes de ver não apenas com os olhos, mas também com os ouvidos, o estômago, o cérebro e a alma. Evgen também acredita que sua cegueira não o priva de ver. O artista, percebe que em um mundo cada vez mais imagético as pessoas olham, porém não enxergam, assim como na obra literária “Ensaio sobre a cegueira”, de Saramago.

No curso Básico de Fotografia Expandida, da Escola Fluxo, o aluno aprende não só a linguagem fotográfica, mas também a tentar existir por si mesmo nessa arte.
Turma Sábado – de 04 a 25 de Outubro
Turma Tarde – de 13 a 29 de Outubro
Turma Noite – de 14 de Outubro a 04 de Novembro
Turma Manhã – de 15 a 24 de Outubro

Inscrições pelo e-mail: contato@escolafluxo.com.br
Mais informações aqui

OcidenteS na tela grande – Série sobre o Bar Ocidente no cinema

Por Bruno Polidoro

Na semana de 25 de setembro a 01 de outubro, o CineBancários exibirá, sempre na sessão das 19h e com entrada franca, o especial OcidenteS, reunindo quatro episódios da ousada série produzida em Porto Alegre, filmados principalmente em uma locação: o mítico Bar Ocidente, no Bom Fim.

Cada episódio se passa em uma década: anos 1980, 1990, 2000 e 2010. E cada década é traduzida pela sensibilidade particular de um diretor sintonizado com ela: Carlos Gerbase volta aos anos oitenta, Fabiano de Souza se transporta aos noventa, Bruno Polidoro retorna à primeira década deste século, e João Gabriel de Queiroz permanece no presente. A série tem direção geral de Fabiano de Souza e é uma realização da Rainer Cine, em co-produção com a Besouro Filmes.

cartaz Ocidentes no cinema

Sinopse

A cidade vista através de histórias que se passam no Ocidente, o bar que acompanhou os descaminhos artísticos e amorosos de gerações e gerações. Entre os sabores particulares das madrugadas dos últimos anos, OcidenteS mostra como o DNA festeiro de Porto Alegre foi sofrendo mutações no decorrer de quatro décadas. As celebrações noturnas, as preferências etílicas, os gestos e as gírias temperam quatro contos visuais inspirados no Bar Ocidente. Ao mesmo tempo em que cada história é independente, possuindo personagens particulares, a progressão dos episódios cria uma narrativa que mapeia alterações nas relações humanas e sociais. As formas de falar, dançar, namorar, se relacionar e comunicar variam de época para época e ajudam a contar uma história de Porto Alegre através de uma das facetas mais interessantes da vida. A vida noturna.

1986. Uma banda de punk-rock formada por quatro amigas ensaia há algum tempo e faz pequenos shows no Bar Ocidente. De repente, sem qualquer aviso, a antiga baterista (fundadora da banda e ex-namorada da vocalista), volta do exterior e diz que vai reassumir seu lugar.

1999. Cristiano chega ao Bar Ocidente para a última festa do século. Lá, reencontra, em memória, a turma do seu irmão mais velho. Lembrando da namorada de um amigo do seu irmão, Cristiano recorda que ela comemorou três aniversários no bar. Três aniversários, três flertes e uma década.

2007. Em uma noite de festa, entre cigarros, doses e corpos, um garoto de 20 anos se vê incapaz de compreender a intensidade do toque. Na área de fumantes, um rapaz e uma garota se aproximam dele. A dúvida entre os afetos e a solidão.

2014 ou depois. Numa festa de formatura, Fil e Sofia se despedem de Mirah, que vai morar no exterior. Na pista de dança, os três amigos se conectam e se encontram entre suas memórias e aspirações.

Confira até dia 01 de Outubro!

Bruno Polidoro ministra o Curso Cinematografia – Jogo de Luzes e Sombras na Direção de Fotografia na Escola Fluxo, com turma iniciando dia 24 de Outubro. O curso pretende um mergulho do participante no universo da direção de fotografia para o audiovisual, com foco no cinema, através da união das principais questões pertinentes ao fotógrafo: câmera e desenho de luz. Para tal, há a construção das questões conceituais – permitindo ampliar as percepções sobre o mundo e o imaginário, com as práticas cotidianas, como utilização da luz natural, refletores, enquadramento e câmera.

Ficha Técnica de OcidenteS

Direção geral: Fabiano de Souza / Direção dos Episódios: Carlos Gerbase, Fabiano de Souza, Bruno Polidoro e João Gabriel Queiroz /  Roteiros: Carlos Gerbase, Fabiano de Souza, Bruno Polidoro, Livia Pasqual e João Gabriel Queiroz / Direção de fotografia: Bruno Polidoro e João Gabriel Queiroz / Direção de arte: Enio Ortiz e Ana Musa Produção Executiva: Jéssica Luz, Milton do Prado e Fabiano de Souza Montagem: Milton do Prado / Som direto: André Sittoni e Tomaz Borges / Edição de Som e Mixagem: André Sittoni /  Música: 4Nazzo /  Realização: Rainer Cine

Elenco: Joana Vieira, Tainá Gallo, Júlia Barth, Liege Massi, Guilherme Kury, Miriã Possani, Fred Vasques, Carina Dias, Mateus Almada, Rossendo Rodrigues, Thiago Prade, Henrique Larré, Marcio Reolon, Carolina Sudati, Rafael Tombini, Samuel Reginatto, Eduardo Cardoso, Filipe Rossato, Mirah Laline, Francine Kliemann, Natalia Karam, Maí Yandara, Martina Fröhlich, Francisco dos Santos Gick, Niel Barbosa, Ariel Artur, Felipe Grimm